ANATOMIA DA PSIQUE – O SIMBOLISMO ALQUÍMICO NA PSICOTERAPIA – BOA LEITURA

agosto 20, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments


O tema de hoje será a série Boa Leitura com a obra do psiquiatra norte-americano Edward Edinger intitulada Anatomia da Psique – O simbolismo alquímico na psicoterapia.

SINOPSE

Dando continuidade aos estudos alquímicos de Carl. G. Jung, Edward F. Edinger procura, neste livro, lançar luz sobre determinados modos ou categorias experimentais do processo de individuação, manifestos no simbolismo alquímico. Nessa obra imprescindível destinada tanto para amantes do pensamento junguiano como para os leitores em geral interessados no tema, o autor não apresenta apenas uma construção teórica, nem uma especulação filosófica, mas uma organização de estudos sobre o psiquismo com base no método de Jung. Por meio da familiaridade com o simbolismo arquetípico, e o processo de autoconhecimento obtido através de uma análise pessoal, o objetivo de Edinger é elaborar uma anatomia da psique que exiba a mesma objetividade da anatomia do corpo físico.

Os livros de Edward Edinger são um tanto quanto difíceis de serem encontrados, e quando se encontra, os preços não são tão acessíveis assim, como é o caso por exemplo de Ego e Arquétipo e Bíblia e Psique – simbolismo da individuação no Antigo Testamento.

Edward Edinger é espetacular não só do ponto de vista da psicologia analítica/profunda, como também como escritor. Suas abordagens são sempre muito elucidativas e coerentes com o que aborda nas suas obras.

O livro de hoje é uma obra fundamental não só para terapeutas junguianos, mas também para aqueles que buscam se inteirar sobre os diversos aspectos da realidade da psique.

Nele, a analogia entre psicoterapia e processos alquímicos, grande pilar das descobertas de Carl Jung, é explicada minuciosamente, explorando em detalhes cada um dos sete principais processos alquímicos: calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, mortificatio, separatio e coniuntio.

As descobertas de Jung em relação à alquimia podem ser vistas de forma muito coerente e bem embasadas nesta obra.

“Vi logo que a psicologia analítica coincidia de modo bastante singular com a alquimia. As experiências dos alqumistas eram, num certo sentido, as minhas próprias experiências, e o mundo deles era, num certo sentido, o meu” (Jung, Memórias, Sonhos e Reflexões, ed.2005, pág. 181).

Para ficar mais claro, vou citar um dos pontos do livro, calcinatio.

Claro que é bom salientar que a leitura do livro de Edinger irá aumentar consideravelmente as inúmeras possibilidades de entendimento. Inclusive os outros pontos.

As imagens alquímicas descrevem o processo da psicoterapia profunda que é idêntico àquilo que Jung denomina individuação.

Tomada como um todo, a alquimia oferece uma espécie de anatomia da individuação. Suas imagens serão mais significativas para aqueles que tiverem tido uma experiência pessoal do inconsciente.

Edinger preferiu chamar os estágios alquímicos em latim.

Vamos a um pequeno resumo do item calcinatio.

CALCINATIO

O processo químico da calcinação envolve o intenso aquecimento de um sólido, destinado a retirar dele a água e todos os demais elementos passíveis de volatização.

Resta um fino pó seco. Exemplo clássico de calcinação, do qual surgiu o termo cal (calx= cal), é o aquecimento da pedra calcária (CaCO3) ou do hidróxido de cálcio para produzir cal viva (CAO, calx viva).

Acrescentando-se água à cal viva, esta apresenta a interessante característica de geração de calor. Os alquimistas pensavam que continha fogo e por vezes a equiparavam ao próprio fogo.

A CALCINATIO é a operação do fogo. ( as outras são: solutio, água. Coagulatio, terra; e sublimatio, ar). Eis porque toda imagem que contêm o fogo livre queimando ou afetando substâncias se relaciona com a Calcinatio.

Isso nos leva ao rico simbolismo do fogo. Para Jung o fogo simboliza a libido. Trata-se de uma afirmação bastante geral. Para conhecer as implicações do fogo e dos seus efeitos, devemos examinar a fenomenologia da imagem em suas inúmeras ramificações.

O fogo da calcinatio é um fogo purgador, embranquecedor. Atua sobre a matéria negra, a nigredo, tornando-a branca... Há muitas alusões ao simbolismo do fogo ( purgatório, inferno, etc.).

Uma interpretação psicológica do fogo é importante, inclusive para a correta interpretação dos textos bíblicos.

O fogo do inferno é o destino daquele aspecto do ego que se identifica com as energias transpessoais da psique e as utiliza para fins de prazer ou de poder pessoais.

Esse aspecto do ego, identificado com a energia do SELF (SI-MESMO), deve passar pela calcinatio. Só se considerará o processo "eterno" quando se estiver lidando com uma dissociação psíquica que separe de modo inevitável o bem do mal e o céu do inferno.

"Pelo elemento fogo, tudo o que há de impuro é destruído e retirado".

Em toda parte, associa-se o fogo com Deus, sendo ele, por conseguinte das energias arquetípicas que transcendem o ego e são experimentadas como numinosas.

Cristo também é associado ao fogo.

De uma forma característica, o pensamento místico distingue dois tipos de fogo. Os estóicos falavam de um fogo terrestre e de um fogo etéreo.

O etéreo corresponde ao NOUS, o divino LOGOS, aproximando-se da concepção cristã posterior do Espírito Santo. A Palavra de Deus é descrita como um fogo. (cf Jr 5,14; Jr 23,29; Tg 3,6).

Em Pentecostes O Espírito Santo desce como fogo (At 2,3)... Nos tempos primitivos, o fogo era o principal método de sacrifício aos deuses. O fogo conectava o divino com o humano.

A calcinatio é um processo de secagem. A cinza é alquimicamente equivalente ao sal. Na psicoterapia envolve a secagem de complexos inconscientes que vivem na água.

De modo geral, quando enfrentamos a realidade da vida, ela nos propicia grande número de ocasiões para a calcinatio do desejo frustrado...

A calcinatio tem um efeito purgador e purificador. A substância é purgada de sua umidade radical.

Por fim a calcinatio produz uma certa imunidade ao afeto e uma habilidade para ver o aspecto arquetípico da existência, na medida em que estamos relacionados com o aspecto transpessoal do nosso ser, experimentamos o afeto como fogo etéreo (Espírito Santo) e não como o fogo terrestre - a dor do desejo frustrado.

(O material aqui exposto é resumo livre da Obra: EDWARD F EDINGER, ANATOMIA DA PSIQUE - O Simbolismo Alquímico na Psicoterapia, Editora Cultrix, São Paulo, 1995.)

Então é isso, por hoje acredito que é basicamente essa apresentação, essa indicação do livro de Edinger. A obra tem muitas referências ao Evangelho, o que a torna muito rica.

Inclusive tem uma que vou até citar aqui, está presente em Mateus 18:3.

E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: “Com toda a certeza vos afirmo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus”.

Nesse ponto, a imagem arquetípica da criança é vista como a imagem de Deus, Si-Mesmo ou como também chamada Imago Dei. De pureza, de tranquilidade e amor.

Então encerro por aqui a postagem de hoje com a indicação do livro Anatomia da Psique – O simbolismo alquímico na psicoterapia.

Comprei a minha obra num sebo aqui em Fortaleza, acabei conseguindo adquirir a obra, só havia um exemplar, mas acredito que você, se quiser e preferir, pode adquirir no site Estante Virtual.

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