A BUSCA POR UM DEUS CONSCIENTE – PEDAGOGIA DE DEUS
Buscar a Deus é mergulhar na escuridão do inconsciente para alcançar a plena chama de luz consciente.Randerson Figueiredo
Olá leitor do blog Saber Jung, o tema da série Pedagogia de Deus de hoje será: A busca por um Deus consciente.
Sempre, ou quase sempre, procuro retratar aqui a figura de Deus não o ser criador do universo, uma figura meramente teológica, mas com uma profundidade psicológica, a frase de minha autoria que abre essa postagem reflete isso.
Diante de tudo que já foi argumentado nesta série, podemos chegar a conclusão de que a religião fracassou. E porque estou escrevendo isso? Porque muitos de nós costumamos confundir Deus com religião e Deus com espiritualidade e o pior de tudo é confundir religião com espiritualidade.
Vou tentar tecer em um só comentário a distinção desses elementos:
Religião é uma garrafa com um rótulo, espiritualidade é algo dentro dela...Muitos brigam pela garrafa e poucos bebem o conteúdo.Desconhecido
A figura de Deus como muitos imaginam é a do criador do universo, mas já abordei diversas vezes aqui no blog que de alguma forma podemos entrar em contato com o Deus interior chamado de Self, si-mesmo ou Imago Dei (imagem de Deus).
Só podemos encontrar Deus quando temos a consciência atrelada aos eixos da nossa vida, caso contrário será uma busca desenfreada e sem elementos coesos e importantes.
Por exemplo, quando se fala em Jesus Cristo, Ele é a expansão da nossa própria consciência, do nosso estado de busca pela força maior criadora de tudo.
A questão é que a maioria das religiões vê essa força maior criadora e mantenedora de tudo como uma espécie de office boy que está ao nosso deleite para quando precisarmos.
Ou seja, é uma fonte meramente materialista. Eis aí a meu ver o grande fracasso da religião. Ela não pode resolver todos os dilemas universais, ela já teve sua chance.
A espiritualidade pode.
Precisamos voltar à fonte da religião, e meu caro e estimado leitor, digo com todas as letras, essa fonte não é Deus... É a consciência.
Ora, basta observar que os grandes mestres que viveram milênios atrás ofereciam algo que ia além de uma crença num plano superior, ofereciam algo muito mais inovador e ilimitado: a sabedoria interior, a consciência.
A questão é que Jesus, Buda e outros sábios eram também cientistas. Tinham uma maneira de chegar ao conhecimento que é muito parecido com a ciência moderna:
Primeiro vinha uma hipótese.
Depois a experimentação, para saber se era verdadeira.
Finalmente vinha a revisão dos pares, oferecendo novos achados a outros pesquisadores, para que reproduzissem a descoberta.
A hipótese apresentada há milhares de anos atrás tem três partes:
1. Há uma realidade invisível que é fonte de todas as coisas visíveis.
2. Essa realidade invisível pode ser conhecida pela nossa consciência.
3. A inteligência, a criatividade e o poder de organização estão entrelaçados no cosmo.
Sinceramente, acompanhe comigo, esse trio de ideias que acabei de mencionar equivale aos valores platônicos na filosofia grega, que nos diz que amor, verdade, ordem e razão moldam a existência humana a partir de uma realidade superior.
A questão é que mesmo as antigas filosofias, moldadas há 5 mil anos, nos dizem que a realidade está conosco aqui e agora.
A grande problemática de tudo é que para muitos Deus é muito pessoal. Mas as grandes tradições não excluem esse Deus pessoal, mas englobam um Deus impessoal também.
Para muitos, Deus tem um rosto. A meu ver, esclarecer a ideia de um Deus impessoal é muito válida, pois a fonte mais profunda da religião que é a espiritualidade é uma base muito mais sólida do que conceitos passageiros que são apresentados na religião.
Vivemos a era do ateísmo, na qual a superstição do materialismo ganha cada vez mais espaço, pois o ataque não é contra Deus, mas contra a jornada interior.
Para os ateus cientistas a jornada sempre é externa, pois de outro modo todos os seus métodos desmoronam.
A ciência jamais atingiu uma objetividade pura e jamais atingirá.
Aí vem a grande pergunta: o que é realidade?
Comparo agora esse questionamento a uma antiga fábula indiana dos seis cegos apalpando um elefante.
Enquanto um está na tromba diz: parece uma cobra.
Outros estão na pata e dizem: parece uma árvore.
O outro no rabo diz: parece um galho de árvore.
E por aí vai. Os seis cegos representam os cinco sentidos e a mente racional.
O elefante é Brahma, a totalidade do que existe.
Se você tiver somente os cinco sentidos e a mente racional jamais verá o elefante. Mas a questão é que o elefante existe, e já estava lá antes de nós esperando para ser conhecido.
Esta é a grande verdade da realidade unificada. Temos que ir além para ver o todo. Ir no mais profundo da consciência para encontrar Deus, para encontrar as respostas e anseios que necessitamos.
O fato da religião não ter dado certo, não significa que uma nova espiritualidade baseada na consciência também não vá dar certo. A busca por um Deus consciente.
Afinal:
Deus é o máximo que há no meu íntimo; Eu sou o ínfimo que revela o máximo; Em busca do ideal para necessitar do mínimo.
Randerson Figueiredo
Até a próxima.


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