SAÚDE MENTAL, RELIGIÃO, RELIGIOSIDADE E ESPIRITUALIDADE – PERCEPÇÕES NA PSICOLOGIA ANALÍTICA

abril 09, 2019 Randerson Figueiredo 0 Comments




Vou começar o texto de hoje com a seguinte pergunta: o que são religiões?

Prontamente respondo adaptando uma resposta de Jung: são sistemas psicoterapêuticos. E o que nós fazemos nos psicoterapeutas? Tentar curar o sofrimento da mente humana. Do espírito humano. Da psique. Da mesma forma que as religiões.

Acredito que as situações advindas dessas questões religiosas devem ser encaradas com seriedade pelos psicoterapeutas, como por exemplo: ressurreição e reencarnação.

Claro que devem ser vistas e revistas com lucidez, sem misticismo. Nada de invencionice, mas tratar com seriedade à luz de conhecimento científico, porquê não?

O Conselho Federal de Psicologia esclarece que: “Não existe oposição entre a Psicologia e a religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma ciência que reconhece a religiosidade e a fé presentes na cultura e participam na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós. A relação dos indivíduos com o ‘sagrado’ pode ser analisada pelo(a) psicólogo(a), nunca imposto por ele(a) às pessoas com as quais trabalha.”

Vejamos este apontamento de Jung:

Encaro a religião como uma atitude do espírito humano, atitude que de acordo com o emprego originário do termo: “religio”, poderíamos qualificar a modo de uma consideração e observação cuidadosas de certos fatores dinâmicos concebidos como “potências”: espíritos, demônios, deuses, leis, ideias, ideais, ou qualquer outra denominação dada pelo homem a tais fatores; dentro de seu mundo próprio a experiência ter-lhe-ia mostrado suficientemente poderosos, perigosos ou mesmo úteis, para merecerem respeitosa consideração, ou suficientemente grandes, belos e racionais, para serem piedosamente adorados e amados. (Carl Gustav Jung, 1978).

Já para Melgosa(2009) há uma perspectiva interessante em relação a esses conceitos.

A espiritualidade nos remete a uma relação pessoal com o metafísico em que a pessoa busca uma identidade de vida, e que pode ou não envolver religião.

A religião nada mais é do que uma organização sistemáticas de crenças, práticas e ritualísticas conectadas com o sagrado, no entanto pode envolver regras sobre condutas orientadoras da vida num grupo social e contribuir para o desenvolvimento moral que consiste na subjetividade humana.

A religiosidade e espiritualidade podem afetar a saúde, reduzindo comportamentos considerados não salutares, tais como o consumo de substâncias psicoativas.

Jung criticava duramente os estudiosos do seu tempo que não pesquisavam de forma adequada a relação dos fenômenos religiosos.

Para Jung a alma é a própria inteligência.

Isso responde o fato de a pesquisa sobre espiritualidade ser fundamental para desvendar o processo de aprimoramento do ser humano como um todo. Muito importante para a psicologia.

O número de fatores que apoiam a existência da alma é enorme. Ou seja, sem a existência da alma seria impossível, acredito, todos esses fenômenos.

Para ser mais claro, toda expressão de desejo metafísico é um aparato de religião.

De acordo com os estudos de Melgosa (2009) é preciso esclarecer que a espiritualidade e a religiosidade não são iguais à religião.

Embora a religiosidade esteja integrada a função mental, a dimensão espiritual merece um aprofundamento específico.

Arquetipicamente falando, muitas questões como por exemplo: belo e feio (estética), bem e mal (moral) e Deus (transcendência) é algo que sempre esteve presente na história.

São arquétipos, o Self/Imago Dei/Si-Mesmo é um dos principais arquétipos que nos acompanham em toda a história da humanidade. A transcendência é também aquilo que nos move.

O estudo da religião, religiosidade e espiritualidade é de fundamental importância para tentar compreender a complexidade que é a mente humana.

A religiosidade nos remete ao fato de religar o consciente com certos poderosos fatores do inconsciente a fim de que sejam tomados em atenta consideração. Estes fatores são caracterizados por suas intensas cargas energéticas e intenso processo dinâmico.

Nise da Silveira relata que para Carl Gustav Jung, todas as religiões originam-se basicamente de encontros com esses fatores dinâmicos do inconsciente, seja em sonhos, visões ou êxtases. Esses fatores se apresentam encarnados em imagens dos mais diversos aspectos: deuses, demônios, espíritos.

Carl Gustav Jung reconhece “todos os deuses possíveis e imagináveis, sob a condição única de que sejam ou tenham sido atuantes no psiquismo do homem”.

Até a próxima.

Referências Bibliográficas:

JUNG, C.G., Estudos Alquímicos, Petrópolis: Vozes, 1990.
______ Psicologia e Religião. Obras completas de C. G. Jung, v. 11/1. Vozes, Petrópolis, 1978.
MACHON, H. O Cristianismo em Jung. Fundamentos filosóficos, premissas psicológicas e consequências para a prática terapêutica. Ed. Vozes, Petrópolis, 2016.
MELGOSA, J. Mente Positiva: Como desenvolver um estilo de vida saudável / Julian Melgosa: Tradução Lucinda dos Reis Oliveira – Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2009.

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