A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO – ANÁLISE DE FILME
Olá caro leitor deste blog.
Não foi à toa que guardei pra hoje a análise do filme A última tentação de Cristo, já que estamos na Semana Santa, nada melhor do que analisar um filme sobre esse tema.
E que filmaço diga-se de passagem!
Não se preocupe que não vou dar spoilers sobre a película, mas vou tecer alguns comentários pertinentes sobre a obra em questão.
Muito bem, o filme é dirigido por Martin Scorsese e adaptado de um livro, não especificamente da Bíblia onde o diretor poderia ter um manancial vasto do Jesus do Evangelho, autor Níkos Kazantzákis.
O filme causou uma grande polêmica, pois apresenta um Cristo muito humano, chego a dizer o retrato mais humano de Jesus da história do cinema.
O longa, assim como o livro de Kazantzákis, traz uma releitura sobre os últimos meses de Jesus Cristo (Willem Dafoe) antes da crucificação, mostrando-o, no início, como um carpinteiro que faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes.
O filme tem longos diálogos e é intimista. Essa estratégia de Scorsese valoriza a visão intimista da obra, ou seja, mais do que mostrar o sacrifício de Cristo, o que o realizador quer aqui é transmitir o que o processo significou para Jesus enquanto homem.
Se outros filmes mostram a grandeza de Jesus enquanto messias, destacando seu sacrifício e ensinamentos, como em A Paixão de Cristo; Scorsese apresenta em A Última Tentação de Cristo a obra definitiva sobre seu lado mortal, com todas as dualidades e temores de qualquer homem.
O filme de certa forma mostra Jesus em uma crise existencial, duvidando que um simples homem possa ser filho de um ser celestial. Tive essa percepção.
Ou seja, o diretor nos convida a enxergar tudo o que está acontecendo sob os olhos de Jesus. Ressalta a melancolia do protagonista em meio a tantas dúvidas.
Foi através desse filme, com a atuação impecável de Willem Dafoe, acredito que a melhor da sua carreira, que consegui me aproximar mais ainda da imagem inquebrantável de Jesus ofertado pela igreja e de grupos religiosos.
Vou parar a análise por aqui.
Sinceramente não entendi o escárnio de grupos religiosos a época do filme, como disse, o filme mostra o lado mais humano de Jesus, seu lado mais sensível e porque não dizer seu lado mais carnal.
Esse filme nos mostra com clareza que Jesus abriu mão de uma vida terrena para viver algo mais além. Mesmo com todas as suas dúvidas, medos e tentações.
Se Scorsese pecou foi por não trazer à tona um Jesus que as pessoas idealizam, acredito que é isso que incomoda, saber que o Salvador foi um ser tão humano quanto nós.
Até a próxima.
Ficha técnica
A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ) — EUA, 1988
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Paul Schrader (baseado na obra de Níkos Kazantzákis)
Elenco: Willem Dafoe, Harvey Keitel, Verna Bloom, Barbara Hershey, David Bowie, Irvin Kershner, John Lurie, Harry Dean Stanton, Gary Basaraba, Victor Argo, Michael Been, Paul Herman, Paul Greco, Andre Gregory, Tomas Arana, Barry Miller, Leo Burmester, Steve Shill
Duração: 164 min


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