A SUPERIORIDADE ILUSÓRIA – O EFEITO DUNNING-KRUGER
Olá leitor deste blog! Mais uma vez aqui neste espaço para tecermos comentários sobre algum assunto interessante, que nos causa espanto, contentamento, frustração...
E o tema de hoje será sobre o efeito Dunning-Kruger. Você sabe o que significa isso?
Refiro-me a superioridade ilusória, quando as pessoas falam sem ter nenhum conhecimento, quando se acham as tais, se acham as melhores em todos os sentidos.
E quando falo no termo pessoas, digo no termo mais amplo a todos nós.
Tendemos a superestimar nossas aptidões físicas, sociais e intelectuais. E essa crença é tão difícil de superar que chega a transgredir as leis da matemática.
Em artigo de 1999, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, David Dunning e Justin Kruger fizeram um estudo bem interessante que pode ser resumido da seguinte forma:
a) As pessoas acham que sabem de tudo;
b) As que menos sabem são as mais pretensiosas sobre seu saber;
c) As que menos sabem são as mais difíceis de admitirem seu desconhecimento;
d) As que menos sabem chegam a se comparar com especialistas em vários temas;
Simplificando, as pessoas incompetentes pensam que sabem mais do que realmente sabem, e tendem a ser mais orgulhosas disso.
Charles Darwin afirmou em 1871 que a “ignorância gera mais confiança do que o conhecimento”. Tinha razão.
O experimento dos pesquisadores se resumia a questionar sobre vários temas e depois sobre o desempenho do participante.
Depois de respondidas as questões os que mais erraram eram os mais confiantes nos acertos. De zero a dez os que tiravam 1 em geral acreditavam ter tirado 7, na média.
O ano de 2017 provocou um retorno ao debate em função das eleições. Embora as declarações do Presidente Trump sejam repletas de erros, falsidades ou imprecisões, ele expressa grande confiança em sua aptidão.
Incrivelmente a reduzida habilidade política de Trump lhe fornece uma confiança brutal. Ele não lê e não estuda, mas acha que sabe tudo.
Veja:
1) São incapazes de reconhecer sua própria incompetência.
2) Tendem a não reconhecer a competência de outras pessoas.
3) Não são capazes de tomar consciência de quão incompetentes são em uma área.
4) Se forem treinados para aumentar sua competência, serão capazes de reconhecer e aceitar sua incompetência anterior.
Trazendo essa questão para o Brasil não estamos longe desta catarse de erros. Somos governados por pessoas que não sabem de quase ou absolutamente nada. Mas acreditam saberem de tudo.
Os que mais tendem a ter melhor ideia sobre si mesmos são, exatamente, os menos capacitados: quanto menos sabemos sobre um tema, mais tendemos a achar que sabemos o suficiente. Já os especialistas tendem a subvalorizar ligeiramente suas aptidões.
E outra coisa: uma mente ignorante não é vazia.
É preconcebida de diversas informações, ideias, experiências, fatos e intuições. Com tudo isso, construímos histórias e teorias que nos dão a impressão de ser um conhecimento confiável.
A questão é que desconhecemos os limites de nossa incompetência e não as dos outros. Ou seja, podemos ser laçados pelo efeito Dunning-Kruger e nem saber disso.
Eu mesmo, esse que vos escreve, posso acreditar que esse texto está de arrepiar em informações e considerar que estou arrebentando com vocês leitores durante todos esses anos de blog.
Mas tudo pode ser um ledo engano. Posso não ser tão bom quanto acredito ser, mas tento me esforçar para suprir minhas necessidades enquanto escritor a todo momento.
Ninguém está a salvo da superioridade ilusória, por mais esperto que seja, ou melhor, por mais esperto que acredite ser.
Até a próxima se Deus quiser.


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