UMA SOCIEDADE TRANSPARENTE E O VOYEURISMO PÓS-MODERNO - BOA LEITURA
Olá estimado leitor do blog Saber Jung! Tudo bem com você? Sinceramente espero que sim.
O texto de hoje será sobre um termo que tem se propagado como rastilho de pólvora no meio acadêmico: a transparência.
Tomarei como base um livro de um filósofo sul-coreano radicado na Alemanha chamado Byung-Chul Han que trabalha como ninguém esse termo: Sociedade da Transparência.
Inclusive nessa postagem vou indicar seu livro junto a série boa leitura aqui no blog. Mais adiante irei destrinchar com mais cautela os capítulos desta obra pequena no tamanho, mas profunda nos conceitos.
Vivemos em uma prisão transparente.
Um verdadeiro Big Brother onde todo mundo é vigia um do outro.
Exploramos uns aos outros sem cerimônia, e acreditamos que isso é realização, pois veja bem, acompanhe comigo. A transparência se faz de todos os modos e situações.
A tese de Han é que o capitalismo neoliberal foi o responsável por transformar tudo em commodities, em mercadorias para exposição. E isso é muito perigoso. Radicalmente perigoso.
A informação pode até ser mercadoria, mas acredito que nos tornamos cada vez menos inteligentes e menos sábios no controle das tais informações.
Sabedoria demanda reflexão, calma, paciência. Não essa informação desenfreada que está na palma da mão e que mina as relações interpessoais.
Para Han, sempre que a informação for fácil demais de obter, o sistema muda da confiança para o controle. Como disse no início do texto, somos vigiados uns pelos outros.
Não há mais relaxamento, tranquilidade e segredo. Principalmente segredo. Tudo é para consumo, e imediato. Tudo nesse caso é voltado para a produção, em larga escala, claro.
E quando essa mesma transparência dessa forma vira uma ideologia, pode-se levar a um grande pesadelo. Já estamos vivenciando isso a passos largos, uma problemática.
Um dos pontos que Han aborda no seu excelente livro é a superficialidade da transparência, em que tudo precisa ser positivo, curtidas, compartilhamentos e comentários, pois se o outro discorda de mim ele é visto como meu inimigo.
É claro que necessitamos do negativo também em nossas vidas, não só da alegria, precisamos sofrer também um pouco para amadurecermos, já escrevi sobre esse assunto várias vezes por aqui >>> A FINALIDADE DO SOFRIMENTO.
A superficialidade é veloz, por isso que atinge tanta gente. A profundidade nos relacionamentos requer tempo, espera e calma.
Tudo aquilo que é um atraso torna-se uma uniformização dos conceitos e abrange cada vez mais o senso comum, a ditadura do politicamente correto é um exemplo disso, já falei sobre esse assunto aqui no blog também >>>
Precisamos de liberdade.
Na vida usamos as máscaras, persona, para nos proteger também.
No amor, por exemplo requer o segredo, o inacessível o inalcançável, tudo que se pense fora disso é pornografia, explícita, pior do que aquelas expostas em filmes impróprios para menores.
Tornamo-nos exibicionistas, voyeurs do mundo pós-moderno.
Tudo deve ser exposto, ser colocado em evidência e num verdadeiro show, comandamos sem cessar o nosso rígido patamar em que somos colocados. Artificialmente falando.
A amizade e os relacionamentos em geral exigem certa distância também.
Agora é importante não confundir erotismo com pornografia.
Descambamos para o obsceno, para o profano. Isso tudo num clique. Numa curtida. Num compartilhamento. Simples assim.
Chegamos ao paraíso ou ao inferno?
Onde tudo é permitido, onde tudo está a um clique...
É necessária muita calma para responder a esta questão. Diante de tudo que abordei no texto de hoje, acredito que está bem evidente, ou será que não está?
Ninguém quer mais ser tranquilo, tem que ser “autêntico” e ligar a câmera do seu Smartphone e com um clique compartilhar isso tudo com o mundo. E no final das contas é todo mundo igual, já que todos lutam por essa autenticidade nada espontânea, viramos bonecos, fantoches comercializáveis.
E se você se tornar um youtuber e dizer um monte de baboseira melhor ainda. Pronto chegou ao auge da fama. Com milhares, ou até mesmo, na melhor das hipóteses milhões de views.
Hoje vivenciamos um mundo de desconfiança.
Não à toa escrevi uma obra em 2015 sucesso de crítica e público sobre esse tema na área da psicologia, já esgotada, intitulada Desconfiei de quem não deveria. Quanto mais desconfiança houver maior será o seu controle.
Vivemos um cinismo sem precedentes e uma desconfiança cruel.
Como estamos cada vez mais expostos, e nossa confiança se perde num desfiladeiro sem fim, temos cada vez mais que nos adaptar nessa sociedade da transparência, mas sem perder o equilíbrio, a lucidez e a honra.
O livro custa R$ 21,00 no site da editora Vozes e ainda tem o frete que sai um pouco salgado, mas aconselho como sempre a você nobre leitor a adquirir no site da Estante Virtual, lá tem ótimos preços e você pode escolher à vontade qual se encaixa no seu bolso.
O livro custa R$ 21,00 no site da editora Vozes e ainda tem o frete que sai um pouco salgado, mas aconselho como sempre a você nobre leitor a adquirir no site da Estante Virtual, lá tem ótimos preços e você pode escolher à vontade qual se encaixa no seu bolso.
Até a próxima se Deus quiser.


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