A VERTIGEM DO EQUILIBRISTA

agosto 05, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Olá leitor! Tudo bem com você? Espero que sim.

Hoje retorno das minhas férias para tratar com você sobre um texto filosófico, um texto menos carregado sobre psicologia analítica.

Na verdade hoje vou fazer alusão ao circo, já que praticamente estamos a todo momento sendo tratados como palhaços por uma série de situações (principalmente na política) nas quais tratarei mais adiante.

Imaginemos um circo.

No circo há a presença de malabares, acrobatas, mágico, os palhaços e os equilibristas, dentre outros.

Hoje irei tratar sobre a figura do equilibrista. Aquele que fica na corda bamba tentando passar de um lugar para outro.

E somos mais do que palhaços, somos verdadeiros equilibristas.

Uma vez o escritor Nelson Rodrigues disse certa feita que quando estamos olhando o equilibrista nosso desejo mais arrebatador é para que ele (o equilibrista) caia com sombrinha e tudo.

Partindo dessa analogia vejo que é bem isso mesmo.

Não suportamos, raras algumas boas exceções, o sucesso do outro.

E o equilibrista com tantas situações de penúria acaba por ser acometido de vertigem, acaba por cair daquela imensa altura. Caindo assustadoramente e se esborrachando no chão.

Não é de se espantar que isso ocorra, haja vista o insucesso do espectador que assiste tudo aquilo de camarote. Ele por se sentir um fracassado não admite o sucesso alheio.

Dia desses estava assistindo sobre uma matéria jornalística na televisão sobre acrobacias aéreas com a esquadrilha da fumaça e fiz o seguinte comentário com meu avô:

- Vô, fazendo a mesma analogia com o pensamento de Nelson Rodrigues, acredito que o desejo das pessoas que estão a observar essas acrobacias aéreas é que os aviões se espatifem no ar e possam ir ao chão.

Meu avô soltou uma gargalhada daquelas e concordou.

Temos a sutil necessidade de nos sentirmos superiores, de não nos sentirmos por baixo compreende?

Essas duas analogias, a do equilibrista e a da esquadrilha da fumaça demonstram isso, nossa cruel capacidade de querer sermos melhores do que o outro. A todo momento.

É aquela antiga questão: se ele (o outro) consegue e eu não consigo, ele também não pode e nem deve conseguir, pois no mínimo ele tem que ser igual a mim, não superior.

Por isso diante de tantas situações, o equilibrista acaba caindo, tem vertigem. Não suporta a pressão de tantas pessoas, o olhar atravessado e a desfaçatez dos que o rodeiam.

O que nós esquecemos é que todos nós teremos uma corda bamba a atravessar, um caminho pedregoso a passar e passaremos pelo mesmo imbróglio em ter que lidar com o olhar do outro.

Essa será nossa lição, atravessar a corda bamba sem cair e passar ileso pela cruel avaliação do nosso irmão.

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