VERDADE OU MENTIRA? A MITOMANIA DO SÉCULO XXI
Doença da mentira, é assim que é tido pela denominação de mitomania ou pseudologia fantástica.
Trata-se de um transtorno de personalidade por ser um questão patológica.
Certo dia estava eu a ler uma dessas revistas semanais e havia uma resenha de uma obra que agora não lembro o nome, mas falava a respeito de mitomania.
Fiquei muito curioso sobre a obra e fui pesquisar sobre o assunto. Antes que me pergunte: não comprei o livro.
Quem nunca contou uma mentira, por menor que seja? Acredito que todos nós, mas a mentira patológica, essa sim é prejudicial a todos nós.
Esse é o grande problema, mentir desenfreadamente cuja vida acaba por se tornar um estilo no qual a pessoa acredita na mentira fantasiosa e fantasiada que ela mesmo cria.
E quantos mitômanos têm perto de nós não é?
Seja aquele amigo que só quer contar vantagem, seja aquele que posta fatos e fotos nas redes sociais. Sempre a espera de uma vítima para contar suas fabulações.
É uma tendência incontrolável e duradoura para a mentira.
O mitômano mente compulsivamente, seja aquela falha inofensiva, ou até mesmo histórias mirabolantes detalhadas ao extremo.
Agora lembrei-me de um pensamento de Abraham Lincoln:
“Você pode enganar a todos por algum tempo; pode enganar alguns todo o tempo; mas não pode enganar a todos todo o tempo”.
Esse pensamento se coaduna exatamente com o que quero levantar nesse texto. Que a mitomania do século XXI é o narcisismo ligado ao falso status que muitos desejam corroborar.
Temos algumas características na mitomania, são elas:
1. As histórias contadas não são inteiramente improváveis e contêm referências à realidade.
2. As aventuras imaginárias se manifestam em várias circunstâncias e de uma maneira crônica.
3. O tema das aventuras é variado, mas o mentiroso acaba sempre se pintando como herói.
4. As histórias não são usadas para obter vantagem ou recompensa.
Essas características me fizeram lembrar também de um personagem de Chico Anysio chamado Pantaleão, que a toda mentira dizia: é mentira Terta?
A ciência ainda não sabe o que faz alguém a ser um mentiroso patológico, mas sabe que esses traços estão ligados quase sempre a transtornos de personalidade como o antissocial e o borderline.
Ela ao mentir tem plena consciência que está mentindo, caso contrário seria um quadro delirante e não mentiroso, concorda?
É bom frisar que a pessoa mente não para obter vantagem, mas porque não consegue se controlar, não consegue parar. Ela nunca acha que está doente, por isso o tratamento ser tão complicado.
E o grande problema disso tudo é que enfrentamos o problema junto com o mitômano, não atinge só a ele, atinge a todos como um todo. Ele acaba por afastar todo o seu ciclo social.
E antes que seja indagado sobre a questão dos sociopatas que mentem para conseguir um objetivo, o mitômano mente por não conseguir parar, uma necessidade incontrolável.
Não há um propósito nisso como no caso dos sociopatas, compreende?
Particularmente conheço uma pessoa que mente, mas de uma forma tão elaborada que fico espantado com tanta desenvoltura, com tanta fantasia e detalhes tão bem costurados que é de arrepiar.
Ela tece características tão bem delineadas que fomenta ainda mais suas mentiras.
Acredito leitor que a grande mentira que se posiciona hoje como arcabouço de uma grande mentira patológica são as redes sociais. O mundo desabando e a pessoa postando fotos das borboletas azuis do Senegal.
As redes sociais são um grande perigo, acredito que a grande maioria do que está ali é mentira, fake como se costuma dizer nos dias atuais, nada ali é verdade.
Fotos sempre sorridentes, de comida gostosa, de lazer, de viagens e outras coisas mais, mas sempre com o objetivo de aparentar um suposto bem-estar consigo mesmo e com os demais.
O que não condiz com a realidade, quase sempre.
Esses sim são os mitômanos do século XXI, mentem por que desejam ser vistos, notados, agraciados com curtidas e compartilhamentos, uma panaceia de bajulações e inconformismo.
Digo inconformismo por não se conformarem em ser quem de fato são, figuras humanas que sentem dor, irritação, que amam; e mais do que tudo: que vivem.
Os mentirosos patológicos de hoje vivem uma vida que não corresponde à realidade. Não suportam a realidade e para isso, fogem em busca do paraíso da mentira desenfreada. Um mundo em bytes. Um mundo cibernético.
E é esse mundo que nos tira a chave para um aprimoramento cada vez mais salutar e sincero conosco e com o outro, mentimos para satisfazer o ego e principalmente para dar uma satisfação ao olhar do outro que tanto nos incomoda, que tanto nos invade.
Fraternal abraço.
Até a próxima.


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