A CONDIÇÃO HUMANA, POR HANNAH ARENDT - FILOSOFANDO

abril 13, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



Hoje estou aqui para dar continuidade a série Filosofando.

O livro abordado hoje será A condição humana da filósofa alemã Hannah Arendt.

O trabalho é o tema central da obra. Ela a divide em três categorias: labor – trabalho – ação.

O eixo dessa análise são as atividades por ela chamadas de vida ativa, ou seja, a capacidade humana de ação. Para a filósofa, essas três categorias são a base da condição humana.

Sobre o labor...

É nessa perspectiva que aparece o homo faber, aquele que se distingue dos outros animais por criar coisas com base no mundo natural e onde o trabalho em si não está contido no processo vital.

O labor corresponde ao processo biológico do corpo.

Para Arendt esse processo é chamado de condição política, onde temos a capacidade de tomar as rédeas da situação e guiar nosso próprio destino.

Continuando com a abordagem...

Há uma diferenciação do homo faber que é aquele que produz o que é durável do homo laborans abordado no livro, que é aquele que produz algo para ser consumido.

A ação é o que nos define.

Ela é especial, pois ela não tem a ver com a matéria e sim com as pessoas. Ela quem define nossa condição humana.

Portanto deve haver uma interação entre pessoas. Interação tipicamente humana, chamada pela filósofa. Arendt não desmerece o trabalho, pelo contrário, traça paralelos de como podemos nos inserir da melhor forma possível e ampliar sempre o debate a respeito do que realmente interessa.

Porque se abandonarmos esse pensamento, nos alienamos.

O tema central do livro é a diminuição do status do ser humano de ser político (que age) para homo faber (que cria) até animal laborans (que se reproduz).

Para a autora a prática da liberdade sofreu transformações com o passar dos tempos, na Grécia era comum a vida pública acontecer de forma mais progressiva. Já na Idade Média isso não acontecia, a hierarquia, dominada principalmente pela religião era quem exercia influência, ou seja, passou a ser uma vida meramente contemplativa e não atuante/ativa.

E essa inversão de ação para contemplação é resultado da ascensão do cristianismo, afirma Hannah Arendt.

Outra conceito que sofre inversão é sobre a valorização intensa do trabalho. O homo faber adquire uma maior importância e isso é resultado da invenção do telescópio, algo que a princípio parece banal.

Ou seja, a terra não é o centro do universo como afirmava o pensamento da Igreja, fato que roubou da criatura (o homem) o papel importante emprestado a ela por esse falso postulado.

Uma segunda inversão ocorre quando o homo faber perde sua importância e o animal laborans chega a mais alta posição na hierárquica da vida ativa, que tem três modos: o trabalho (ciclo biológico, mortalidade), a obra (artefato, sobrevivência) e a ação (política, pluralidade).

O homem de ação é substituído pelo homo faber e este dá lugar ao animal laborans que, por sua vez, desaparece em favor do empregado, último estágio da redução do humano a um puro funcionamento automático.

E a ação política foi perdendo força, pois era justamente isso que mantinha o homem livre, que o fazia pensar. Se antes era a Igreja que alienava agora era a força de produção e a “indústria cultural”.

Mais adiante Arendt lança uma discussão fantástica não somente sobre as categorias de trabalho, mas também sobre diversos outros assuntos como poder e violência, propriedade e riqueza...

E o que ela vai chamar de mal-estar do indivíduo chamado “sociedade de trabalhadores”. É necessário que possamos sair dessa imersão do trabalho e possamos agir.

Arendt alerta que a ciência e a tecnologia se transformaram na arena da “ação na natureza”. A visão da pensadora sobre a condição humana nos lembra de que os seres humanos são criaturas que agem no sentido de fazer as coisas acontecerem e desencadear sequências de acontecimentos.

Para a filósofa o trabalho é o que fazemos para nos descobrirmos a cada instante nossa percepção de mundo. E de que forma estamos inseridos na sociedade.

O que é, portanto, uma forma de autoconhecimento na medida em que a percepção de quais aspectos do mundo do trabalho revela mais afinidade e habilidade. Assim, o trabalho se apresenta como forma de se desenvolver e buscar realização.

Essa foi a pesquisa sobre a série filosofando, sobre o livro A condição humana da filósofa alemã Hannah Arendt.

Até a próxima.

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