O DEUS DE JUNG

março 24, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments




Olá caro leitor, tudo bem com você? Espero que sim.

A postagem de hoje será sobre O Deus de Jung.

O principal perfil do blog é filosofia, espiritualidade e psicologia analítica. Pois muito bem, hoje estreitaremos mais ainda essas três área de conhecimento.

Primeiro vou começar com uma citação de Edward Edinger, grande terapeuta junguiano que escreveu vários livros, os quais em momento oportuno irei indicar aqui no blog.

“Deus é o nome pelo qual eu designo todas as coisas que cruzam o meu caminho de modo intencional, violento e de forma imprudente, todas as coisas que perturbam meus pontos de vista subjetivos, planos e intenções e mudam o curso da minha vida para melhor ou para pior.”
(Citado por Edward Edinger, em seu livro: A transformação da imagem de Deus).

O grande Ser supremo que criou o universo não pode ser compreendido por nossas mentes, talvez algumas pessoas especiais quem sabe possam senti-lo e compreende-lo de fato.

Mas a verdade é que a imagem de Deus (Imago Dei) não coincide com a totalidade do inconsciente na sua totalidade, na realidade coincide com o conteúdo particular do inconsciente que chamamos de SELF que é o arquétipo do si mesmo. Vamos dizer que é uma espécie de comandante geral da psique.

Já o EGO não direciona nossas vidas como muita gente imagina...

Ele, o EGO, é o lado consciente da psique, mas com situações estressantes, de raiva e de perigo o comando passa a ser do SELF, que como já disse representa a imagem de Deus.

Através do SELF podemos ter contato diretamente com a imagem de Deus: sonhos e imaginação.

Por isso suas célebres frases: "Querendo ou não, Deus está presente". Ou ainda a sua outra frase também célebre: "Eu não acredito em Deus. Eu sei que ele existe".

Claro que Jung sabia perfeitamente o que estava falando, pois desde criança juntou percepções que o levariam a formular tais teses.

Jung foi o primeiro cientista a confirmar cientificamente que a religiosidade é instinto e que o arquétipo existe por que foi criado e permanece alimentado pelas projeções do ser humano.

Portanto é interessante notar que Jung não aborda Deus do ponto de vista teológico, mas sim do ponto de vista da psique humana, psicológico, ou seja a partir de um instinto no qual a psique humana cria espontaneamente imagens de conteúdo religioso.

Não sou eu quem está falando isso abertamente, tirando conclusões precipitadas, mas está presente na obra “Memórias, sonhos, reflexões” e na obra de Jung claro, que é uma biografia sobre Jung, inclusive saiu uma nova edição pela editora Nova Fronteira excelente por sinal.

Essas criações da psique representam um caráter religioso, é instintivo, são de natureza religiosa.

Com seus pacientes esquizofrênicos Jung observou que todos tinham uma carga muito forte antiga e herdada na psique ao que ele chamou de Inconsciente Coletivo, e que muitos pesquisadores hoje chamam de Memória Celular.

Na infância Jung era de família protestante, seu pai era um pastor luterano e toda a sua família pertencia aos ditames religiosos.

Mas desde pequeno pesquisava sobre a imagem de Deus e sobre a fé. Mas sempre se sentia acuado em relação aos preceitos da moral cristã a qual estava inserido. Teve inclusive um sonho na infância que o perseguiu durante toda a sua vida, que o marcou profundamente.

Foi aí que teve um insight a respeito de Adão e Eva, e com seus pensamentos começou a perceber que não deveria se sentir coagido/culpado em relação a tais preceitos religiosos.

Essa percepção com Adão e Eva se deu da seguinte maneira:

Foram criados direta e intencionalmente por Deus, tais como eram. Não poderiam imaginar outra maneira de ser senão aquela que lhes fora dada. Eram criaturas perfeitas de um Deus que criava apenas a perfeição.

No entanto, foram eles que cometeram o primeiro pecado. Jamais o teriam feito se Deus não tivesse posto neles a possibilidade de fazê-lo.

O mesmo se deu com a serpente que Deus criou antes mesmo deles. Criou com a evidente intenção de que ela fosse capaz de persuadi-los ao pecado.

"Consequentemente a intenção de Deus era que pudessem pecar". Diante de tal descoberta, Jung se sentiu aliviado. Não sentia mais culpa em questionar e pensar.

Resumo de tudo...

O arquétipo é sim uma criação humana, e querendo ou não querendo ele existe, pois a humanidade possui desde os mais tenebrosos dias os mesmos pensamentos e compartilha praticamente as mesmas emoções e ideais.

Para pensar de forma científica é necessário trata-los como força e não como moral, pois é energia psíquica. Pois a religião não é somente um apanhado de regras, mas sim um contexto de espiritualidade vivido pela pessoa.

Deus a meu ver segundo as minhas pesquisas em relação a psicologia analítica representa projeções de conteúdo psíquico sobre os quais o EGO desconhece, em resumo acredito ser isso. São representações de processos psíquicos inconscientes.

Digo isso para fechar o artigo de hoje numa frase.

Para Jung, acontecimentos que se produzem no Cosmo criam imagens em nós. Ou de algum modo se desenrola, tornando-se assim conscientes (Memórias, sonhos, reflexões).

E assim continua: "Nossa consciência não se cria a si mesma, mas emana de profundezas desconhecidas. Na infância desperta gradualmente e, ao longo da vida, desperta cada manhã, saindo das profundezas do sono, de um estado de inconsciência. É como uma criança nascendo diariamente do seio materno." 

E aí pergunto: Onde está Deus? Está em toda a parte. Como diz São Bonaventura: “É como se Deus fosse um círculo cujo centro está em toda a parte, e a circunferência em lugar nenhum”.

Fraternal abraço e até a próxima.

Referências bibliográficas

PSICOLOGIA E RELIGIÃO. OBRAS COMPLETAS DE C. G. JUNG, V. 11/1.
Carl Gustav Jung 
Petrópolis: Vozes, 1978.

A CRIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA - O mito de Jung para o homem moderno
Edward F. Edinger
São Paulo: Cultrix, 1987
Nesse livro, o autor propõe uma colaboração criativa entre a busca científica do conhecimento e a procura religiosa de um significado.

A TRANSFORMAÇÃO DA IMAGEM DE DEUS
Edward F. Edinger
São Paulo: Cultrix, 1990

MEMÓRIAS, SONHOS, REFLEXÕES
Carl Gustav Jung
São Paulo: Nova Fronteira, 2017


OBS.: Como os livros de Edward Edinger são um tanto quanto antigos, acredito que você poderá encontra-los na Estante Virtual, poderá fazer uma pesquisa e saber qual o melhor preço e estado físico da obra. Desde já desejo uma excelente leitura.

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