AS MANIFESTAÇÕES DA SOMBRA COLETIVA

março 06, 2018 Randerson Figueiredo 0 Comments



“A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade”.
Carl Gustav Jung

Já falei aqui sobre sombra coletiva há alguns anos, num artigo intitulado ESPIRITUALIDADE E SOMBRA COLETIVA – PLURALIDADE OU SINGULARIDADE?

Mas dessa vez vamos aprofundar mais um pouco esses questionamentos de forma mais concisa, que são de extrema relevância para todos nós, principalmente em relação a sociedade em que estamos inseridos.

Muitos pensam que sombra representa somente o lado dark, o lado negro da situação. Não, não é só isso.

A sombra é muito mais. É ela que nos coloca o pé no chão, que de certa forma nos traz para a realidade nua e crua que vivemos.

Gosto de frisar que sou um pesquisador da psicologia analítica e não um especialista, estou aqui para despertar em você que lê os artigos questionamentos essenciais para nosso convívio.

A sombra representa também a parte não vivida da personalidade, é por isso que é tão importante falar e falar quantas vezes forem necessárias sobre esse tema.

Acredito que a sombra coletiva é como se fosse um pântano.

E nesse pântano está escondido um tesouro, mas para acessá-lo é necessário entrar nesse terreno, é lá que está o tesouro que poderá nos salvar. A chave para nosso aprendizado.

Como bem disse Jung:

Tudo aquilo que não queremos ser é justamente aquilo que nos cura. O desprezível em si e nos outros, todo comportamento que abominamos, por mais paradoxo que seja, é a nossa salvação.

Aceitação – palavra-chave.

Mas cuidado, uma aceitação que requer um aprimoramento interpessoal e não uma mera aceitação por aceitar de braços cruzados.

Adaptar-se as circunstâncias de acordo com seus sentimentos e suas necessidades. Podemos de certa forma projetar o que sentimos no outro.

Projeção? Mas a projeção não é sempre ruim?

Nem sempre, segundo Marie-Louise Von Franz (pesquisadora, trabalhou com Carl Gustav Jung em suas pesquisas) a projeção em muitos momentos se faz necessária.

É através dela que poderemos estabelecer uma conexão com o mundo. A questão não é projetar, mas por quanto tempo mantemos a projeção sobre o outro, deu para compreender?

Um exemplo é Marilyn Monroe, segundo Von Franz:

Milhares, milhões de homens americanos projetaram seu feminino interior sobre Marilyn Monroe. Se um milhão de homens deixou suas projeções sobre ela, o mais provável era que Marilyn morresse (…)

Por isso que existe uma sombra arquetípica, e através dela podemos tecer comentários com a ajuda da mitologia e dos contos de fada. Mais adiante irei abordar sobre esse tema especificamente.

Devemos tornar a sombra consciente, pois é através dela que podemos florescer.

Lembra do texto que escrevi sobre a flor de lótus? Vale a pena conferir. Acesse aqui.

Pois muito bem, devemos acessar a imundície do nosso interior se quisermos florescer. Sempre! Afinal de contas devemos e merecemos encontrar o nosso melhor lado em qualquer circunstância.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HALL, C. S.; NORDBY, VERNON, J – Introdução a Psicologia Analítica, Ed. Cultrix, São Paulo, 1972.

JUNG, C. G. Aion – Estudo sobre o simbolismo do si-mesmo. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.

VON FRANZ, M. L. A sombra e o mal nos contos de fada. 3 ed. Paulus. São Paulo: 2002.

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