E QUEM DIVERTE O PALHAÇO?
Caro leitor estou de volta a esta plataforma. A este blog que tanto tenho carinho. Disse que só retornaria em agosto, mas resolvi antecipar meu retorno faltando somente dois dias para o referido mês.
Estava com muita saudade de escrever aqui no nosso blog Saber Jung.
Estava com muita saudade de escrever aqui no nosso blog Saber Jung.
O tema de hoje será sobre depressão.
Um tema espinhoso haja vista as inúmeras situações que rotineiramente presenciamos ou mais do que isso: vivenciamos. Acredito ser de profunda importância tratar deste assunto mais uma vez.
E minha pergunta hoje é a seguinte: e quem diverte o palhaço?
Essa minha indagação tem uma profunda interpretação ontológica. Porque o palhaço é aquela figura risonha, divertida e até mesmo caricata que anima a todos.
Mas aí fica a pergunta: quem o anima?
Ele mesmo?
Não. É necessário toda uma sensibilidade para compreender isso.
De forma mais direta: grande parte dos comediantes são depressivos.
Foi feita uma pesquisa na Universidade de Oxford publicaram os resultados de um estudo em que participaram 523 comediantes (404 homens e 119 mulheres) do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Austrália.
"Descobrimos que comediantes têm um perfil de personalidade pouco comum e um tanto contraditório", diz Gordon Claridge, do Departamento de Psicologia Experimental de Oxford.
"Por um lado, eles eram bastante introvertidos, depressivos e, poderíamos dizer, esquisitos. Por outro, eles são bastante extrovertidos e cheios de manias.
Talvez a comédia - o lado extrovertido - seja uma forma de lidar com o lado depressivo. Mas, claro, isso não vale para todo comediante"
Sempre quando falo desse assunto lembro de dois grandes comediantes: Chico Anysio e Robin Williams.
Em um depoimento sobre o assunto, Chico Anysio revelou que se tratava com um psiquiatra há mais de vinte anos, 24 para ser mais preciso. E que se não fosse o tratamento ele não teria feito 20% do que ele fez.
Um grave transtorno que acomete boa parte das pessoas criativas é o transtorno bipolar de humor, antigamente chamado de Psicose Maníaco Depressiva (PMD).
Especula-se que Robin Williams sofria desse transtorno.
Pessoas estáveis pensam que o mundo está bom como ele é hoje. Não acham que precisam mudá-lo. Pessoas criativas não pensam assim. E quem quer mudar o mundo sofre muito com isso.
John Loyd, produtor e ator de programas de comédia na TV britânica
Quando em uma de suas entrevistas ao jornal The Guardian em 1996 Robin Williams disse:
Sempre que você se deprime, a comédia o tira do buraco.
Mas é claro que nem todos os comediantes passam por esta situação.
Segundo especialistas a comédia é uma das formas de lidar com a depressão e transformar o que é ruim em diamante.
E era justamente isso que Robin Williams fazia, veja abaixo duas cenas do excelente filme Uma babá quase perfeita (Mrs. Doubtfire) de 1993.
A depressão não está somente ligada a pessoas criativas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mais de 350 milhões de pessoas no mundo padecem deste mal.
Em seus casos mais graves, a depressão pode levar ao suicídio. Por ano, cerca de 1 milhão de mortes são causadas por suicídios.
E por falar em suicídio tive semana passada como inspiração uma poesia sobre esse tema. Chama-se: Serei sempre forte.
Antes de postar a poesia faço um apelo: se você que está lendo este texto sente uma tristeza profunda e possui ideias errôneas a respeito da vida, procure ajuda, um amigo, psicólogo, psiquiatra ou até mesmo o CVV (Centro de Valorização da Vida) com o número 141.
Precisamos uns dos outros para aguentar essa longa jornada chamada vida, precisamos da contribuição do outro, do olhar alheio. De ajuda mesmo.
Fazer o outro rir é excelente, quando tem plateia, mas e quando não há? Quando é necessário voltar pra casa e sentir a tristeza inundar a alma? O melhor a fazer é procurar ajuda.
Serei sempre forte.
Quando ligar pra mim
Pode não mais me encontrar
Não fique triste assim
Pelo navio a soçobrar
Da âncora que fora lançada
Ao mar de desilusões
E agora será puxada
Para sanar minhas questões
De um mundo tão injusto
Que em meu coração fez um profundo corte
E que a muito custo
Fez-me tornar sereno e forte
Não o suficiente
Para enganar a morte
De forma latente
Entreguei a minha sorte
Em um caminho pedregoso
Que me fez chorar
Um terreno arenoso
Que me levou a lutar
Lutar com minha vida
E a sempre questionar
O beco sem saída
De não ter mais com quem contar
Sou um sopro de partida
Ainda sou todo amor
Numa constante busca pela vida
Não fujo da lida e sim da dor
Dor que dilacera a alma
E despedaça o coração
Ao deixar um grande trauma
Como a letra de uma triste canção
E no xeque-mate da despedida
Vou-me embora deste plano
É a hora da acolhida
Deste simples ser humano
Randerson Figueiredo - 22.07.2017 às 17h04min
Com esta poesia encerro a postagem de hoje, e fica a reflexão sobre esse tema tão importante que sempre merece ser revisto e ampliado o debate.
Afetuoso abraço a todos.


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