MEDO: UMA GRANDE PRISÃO

março 06, 2017 Randerson Figueiredo 0 Comments



Na verdade temos medo, muito medo de tudo aquilo que poderíamos nos tornar a ponto de abortar o presente, sufocar o inconsciente e ser uma mera representação, uma alegoria vazia que perdeu o desfile pelo simples medo de tentar.
Randerson Figueiredo 

Emitir uma opinião requer certos cuidados. Digo isso porque além de ser blogueiro e também escritor, com as redes sociais podemos a qualquer momento formar opiniões, dos mais variados tipos e tamanhos.

Ora, se somos capazes de emitir a qualquer um nossas avassaladoras opiniões, porque não somos capazes também de discernir sobre as mesmas? Porque temos tanta dificuldade em escutar o outro? Mesmo sabendo que ele agoniza a poucos metros de você?

Emitimos a todo custo um juízo de opinião e não uma opinião de juízo. A diferença é clara entre ambas.

O juízo de opinião a meu ver é aquilo que foi imposto arbitrariamente para ser enfiado goela abaixo. Já a opinião de juízo requer embasamentos mais fortalecidos em parâmetros consistentes. Bem, isso tudo é um jogo de palavras, mas que requer atenção.

Acredito que toda essa miscelânea de fatos e acontecimentos gira em torno de um sentimento muito ruim que nos paralisa: o medo.
É ele quem determina para onde vamos e o que faremos.

Toda essa balbúrdia de tragédias, violência, drogas é justamente o retrato fiel de uma sociedade que não trabalha o medo. Temos a tendência de sustenta-lo até o último segundo em nossas vidas.

E o que isso significa?

O uso da violência dos mais variados tipos, pois o agressor seja ele físico ou moral tem medo de ser subjugado por outro mais forte do que ele. O agressor seja ele qual for, é o ser mais covarde, mais medroso que existe.

Drogas dos mais variados tipos – a fuga da realidade favorece o surgimento de uma coragem relativamente constante, o que torna o usuário alguém que pode superar tudo, inclusive o medo.
E tudo isso caro leitor, é porque temos um medo que extrapola tudo.
O medo da morte!

Sempre bati nessa tecla de que tudo acontece de forma desordenada e angustiante porque temos medo de morrer antes de executar nossos projetos. Temos um medo danado da morte. Pra onde iremos?

Isso é angustiante. Nos deixa ansiosos, cheios de manias, fobias e outras coisas mais. É isso que nos tortura. Ou seja, a morte representa o ponto final de uma história que poderia ter se tornado realidade.

E não estamos prontos para o ponto final, no mínimo umas reticências.

E onde quero chegar com a opinião de juízo?

Que o nosso senso comum aceita tudo o que vem à mente, que somos alienados, que temos fobias, reações alérgicas, que somos desacreditados da vida, marginais... Nós temos medo meu querido! Tudo, a meu ver, gira em torno disso, avalio mais uma vez.

É o medo que nos paralisa e ao mesmo tempo nos move num caminho incessante, alucinado e eufórico para conseguirmos tudo aquilo que nem sabemos que almejamos, achamos que almejamos algo, na verdade somos impelidos a acreditar nisso.

Nada está sob nosso controle, nada!

Também não somos um joguete nas mãos de Deus, muito pelo contrário, somos um joguete nas mãos do medo, Deus é amor e medo é terror/assombro.

Por isso, meu juízo de opinião e minha opinião de juízo é que não tenha medo de ler um jornal, de assistir uma telenovela, de ir ao teatro, cinema, ler um bom livro ou dançar até o chão-chão-chão-chão-chão com medo do que o outro vai pensar. Com medo de ser quem você é.

E outra coisa muito séria, muitas vezes temos medo de ter medo... Isso também paralisa. Temos que tratá-lo como um amigo, oferecer o que há de melhor em nós: coragem!

Na verdade temos medo, muito medo de tudo aquilo que poderíamos nos tornar a ponto de abortar o presente, sufocar o inconsciente e ser uma mera representação, uma alegoria vazia que perdeu o desfile pelo simples medo de tentar.

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