O INFERNO SÃO OS OUTROS
Uma das frases mais aclamadas de Jean-Paul Sartre é justamente essa: o inferno são os outros. E essa frase por ser tão emblemática e ao mesmo tempo tão certeira nos faz refletir sobre vários pontos.
Ela é proveniente de uma das peças de teatro que ele escreveu, uma peça chamada Entre quatro paredes (Huis clos no original francês). E entraremos num assunto chamado intersubjetividade.
A intersubjetividade é a relação entre os indivíduos. E essa relação diz muito decorrente de nossas escolhas. A profissão, valores...
Ainda na peça Entre quatro paredes, Sartre afirma que, afinal, um homem “nada mais é do que a soma das escolhas que fez durante sua vida”. É nesse movimento que nossa existência pode ganhar um sentido que, a priori, ela não tem.
O Homem pode ser mantido sobre a mais cruel dominação, mas pode continuar livre, devido a sua consciência, ou seja, ontologicamente ele é livre. Oriunda da nossa liberdade radical.
Nesse ínterim as relações humanas são quase sempre conflituosas, tendemos sempre a entrar em conflito com a liberdade de um para o outro. A minha liberdade com a do outro.
Mas isso não é de todo ruim, pelo contrário, o olhar do outro é o que nos faz progredir porque ele realmente alimenta a chance de nos lançarmos no que melhor podemos ser. Ontologicamente falando.
Agora vou chegar ao título do texto.
As características humanas são sempre carregadas de tensão, na perspectiva Sartriana O inferno são os outros, justamente porque não conseguimos controlar o outro, o que ele pensa, o que ele nos diz, qual o limite da sua liberdade.
E isso é gerador de conflito.
Claro que o que fiz hoje foi uma análise rápida e superficial sobre a famosa frase de Sartre, mas, sobretudo apontei fatos para que possamos amadurecer e ver o outro não como inimigo.
E a crítica sempre será um fator para que nosso embasamento possa crescer sempre, lógico que uma crítica bem fundamentada, não é verdade?
Merleau-Ponty, por exemplo, faz uma crítica à filosofia de Sartre, particularmente no que diz respeito à intersubjetividade, por uma via que acho muito fecunda.
No entanto, a perspectiva filosófica de Sartre sobre as relações com os outros traz alguns elementos importantes para pensarmos. No fundo, o que a teoria sartriana coloca é que, se o homem é livre (embora sempre imerso numa “situação” particular)
Precisamos do olhar do outro para crescer, para intersubjetivamente sermos quem somos e encontrar no profundo ser a nossa essência.
O desafio é aprender a conviver com esse “sujeito infernal” e julgador, este individuo que insiste em refletir uma imagem distinta e igual a vossa.
É extraordinário o quanto o julgamento alheio 'faz sentido', trás significado, ao mesmo tempo em que perturba também atribui um valor existencial.
Não há nada que me prenda a um sentimento de tragédia em mim mesmo, a não ser o olhar penetrante do outro em agir numa fração de segundos e sempre corroborar a assertiva de que o inferno são os outros.


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