CEGOS COMO TOMÉ?
A o dedo, aquele dedo que ficaria eternizado nas chagas do Mestre Maior Jesus Cristo simboliza não só nossa incredulidade, mas também uma forma de conversão para um passo mais além.
A famosa frase muitas vezes ridicularizada do "ver para crer" vai identificar um Tomé, um discípulo comprometido com uma evangelização mais nua e crua.
A meu ver Tomé representa todos nós. Sempre. Ou quase sempre.
Mas que ele representa a isso ele representa. Até mesmo porque o choque de realidade que ele levou naquele momento de tocar nas chagas é um caso não isolado, mas conjuntural.
Acredito que ele poderia ser o quinto evangelista, sem sombra de dúvidas.
Ali foi mais que uma conversão instantânea, foi uma forma que Cristo encontrou de nos alertar para a incredulidade que nos assombra diuturnamente.
Através de Tomé podemos inverter o ver para crer para o crer para ver.
Essa é uma base não só teológica, mas humana. Não só estrutural, mas interior. Não é banal e sim essencial.
Essencial para enxergarmos o quanto tropeçamos por não queremos enxergar o óbvio!
A nossa realidade cotidiana nos faz agir como Tomé, mas devemos nos lembrar que assim como Tomé reagiu quando chocou-se com o óbvio, devemos estar atentos sempre quando nos chocarmos com a Verdade.
Muitas coisas agem ao nosso redor e nem damos a devida importância.
Um lado Tomé sempre estará presente como disse em nossas vidas e é bom que esteja mesmo, pois ele não tinha medo de perguntar, de buscar a verdade, isso fica evidente na última Ceia. Um contraponto.
Mas ao ativar nosso olhar para dentro como bem disse Jung, despertaremos o que melhor poderemos encontrar: a essência da vida, do caminho e da Verdade.
Tomé corrobora nossa fé cega, nossa característica de sobrevivência, a desconfiança. Mas mais do que isso, Tomé representa nossa pujante capacidade de nos renovarmos a cada dia em busca de um novo caminho, em busca da plenitude, em busca da luz.


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