SOBRE A VIDA NÃO VIVIDA
Um dos grandes questionamentos que sempre tenho feito aqui neste blog diz respeito ao fato de não vivenciarmos plenamente a vida.
Uma vida não vivida. Uma vida centrada mais no acúmulo de objetos do que de situações e efemérides prazerosas. E isso é uma característica extremamente comum.
Não costumamos aproveitar a vida na sua essência, na sua versatilidade e na sua totalidade. Temos na maioria das vezes uma vida amorfa, sem graça e sem dinamicidade.
Uma vida pautada em futilidade requer uma dose de heroísmo hercúleo para que a sua vida não caia no ostracismo de um cotidiano cheio de infindáveis dramas já conhecidos.
O mundo se acabando, tufões, terremotos, e agora o mais recente terrorismo na França e você se preocupando com pau de selfie? Para saber quem saiu melhor na foto. Francamente não é?
Acredito que está na hora de rever nossos conceitos. De “desproblematizar” o que não é problematizável e de encarar as dúvidas, os questionamentos pautados em dados confiáveis que deem um pouco de ânimo aquela ou outra situação.
É isso que necessitamos colocar em prática na vida: ânimo. O mais nobre dos sentimentos: amor e uma pitada de: atitude. Sei que se fosse fácil assim já estaríamos habitando outras esferas. Outras galáxias.
E por falar em habitar outras esferas, no campo moral somos altamente tenebrosos, mas no campo científico avançamos horrores. E o que isso quer dizer?
Quer dizer que apesar de sermos avançados cientificamente, no campo das relações interpessoais não passamos de bebês prematuros.
Acredito que ainda não começamos nem a engatinhar, estamos no abecedário redivivo dos laços fraternos, ou seja, numa comparação a lá Darwin: estamos na era das cavernas no campo emocional.
Por isso que quando fazemos pipizinho fora do nosso piniquinho, temos que dar satisfações de bate pronto a quem cometemos a indelicadeza de magoar. Caso contrário seremos taxados de pré-históricos. E com toda razão já que é a era(emocional) que nos encontramos.
Por isso que a vida não vivida é reflexo dos nossos atos, das nossas insanidades, dos nossos conceitos e preconceitos mais obscuros.
Essa vida que não vivenciamos não é um erro, é a prova cabal que ainda temos muito que melhorar para atingirmos a nossa plenitude. É uma questão de mudança, de melhora.
Agir com consciência e ter a convicção de que somos passíveis a erros e principalmente a acertos é o que confere um grau maior de liberdade a todos nós.
Temos que ter audácia e discernimento. Mais do que tudo, ter vontade de mudar.
Não viver a vida é sempre tecer uma teia no qual o lanche mais cedo ou mais tarde da aranha chamada esquecimento um dia poderá ser você.


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