A SOLIDÃO DOS DESTEMIDOS

dezembro 12, 2014 Randerson Figueiredo 0 Comments



"A solidão é para mim uma fonte de cura, que faz minha vida valer a pena. Falar é muitas vezes um tormento para mim, e eu preciso de muitos dias de silêncio para me recuperar da inutilidade das palavras." 
C. G. Jung.

Mais uma vez estou por aqui para escrever sobre meus pensamentos. E o tema de hoje é solidão. Um tema que muitas vezes causa arrepios só em pensar.

Mas engana-se quem pensa que solidão é de todo ruim, ou melhor, ela não é ruim, muito pelo contrário, é ótima. Facilita encontrar a essência que existe dentro de nós.

A frase acima do Jung é um belo exemplo de que poucas boas palavras nos fazem bem e quanto o silêncio do acaso é benéfico as situações do nosso cotidiano.

A meu ver a pior solidão é você estar cercado de pessoas e estar só, fazer-se só e sentir-se sozinho. Acredito que não há nada pior do que isso.

A grande sensação de hoje é justamente a seguinte frase: APAREÇO, LOGO EXISTO. Uma paráfrase de Descartes que tem muito sentido haja vista o número gigantesco de selfies que são tiradas.

É nessa perspectiva que escrevo o texto de hoje, numa nuance mais de informar do que de criticar. Afinal de contas a solidão é para quem não tem medo. A verdadeira solidão dos destemidos.

Essa solidão, a de quem não tem medo possui uma característica em comum que é justamente não ter a vaidade de parecer algo que não é, até mesmo porque ela não cobra, não exige e não procrastina uma vida mais intensa do ponto de vista interior.

A solidão dos destemidos é uma decisão de ser mais forte. Agora sem parecer antiquado e radical não digo para sair por aí desfazendo amizades, não é isso.

Falo em recolher-se de quando em quando para um melhor aproveitamento de nós mesmos e até mesmo com os outros, pois se não nos conhecermos quem irá?

Parece que temos medo de estarmos sozinhos pelo menos por alguns momentos. E sem contar aquelas pessoas que vivem sozinhas sempre pelos mais diversos motivos? Doença, morte, distância...

A escola existencialista vê a solidão como essência do ser humano. Cada pessoa vem ao mundo sozinha, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho.

Aceitar o fato, lidar com isso e aprender como direcionar nossas próprias vidas de forma bela e satisfatória é a condição humana.

Alguns filósofos, como Jean-Paul Sartre, acreditaram numa solidão epistêmica, onde a solidão é parte fundamental da condição humana por causa do paradoxo entre o desejo consciente do homem de encontrar um significado dentro do isolamento e do vazio do universo.

Essa é a grande questão da vida. A solidão é importante sim e necessária. Torna-nos mais fortes e aguerridos diante das batalhas que estamos dispostos a enfrentar.

E a solidão dos destemidos é justamente isso, não ter medo de ficar só em muitos momentos dessa jornada; é nesse momento que temos que reabastecer o tanque com litros e litros de alegria e otimismo.


Até a próxima.

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