A UTILIDADE DA INUTILIDADE
Até que ponto nós conseguiríamos aguentar um estorvo em nossas vidas? Aquela pessoa que aparentemente não serve mais para nada e se apresenta como um entrave em nossas duras batalhas cotidianas?
Essa é uma pergunta difícil de ser respondida haja vista que basicamente nos aproximamos dos outros devido a sua utilidade, sobre o que ele pode nos proporcionar, em uma linguagem mais clara, o que ele está disposto a ofertar.
A sociedade em que vivemos está repleta de pessoas dispostas a pagar um preço cada vez maior para ser cada vez mais útil aos outros, e essa suposta utilidade recai em uma grande inutilidade.
Uma inutilidade que desencadeia uma série de consequências desastrosas a vida de quem inconscientemente a pratica.
Já que vivemos em uma sociedade altamente acelerada, temos a todo custo demonstrar aos outros, aos olhos alheios que somos feitos de aço e não de carne e osso e que nossas vicissitudes não passam de meros caprichos quando estas não atendem aos anseios de outrem.
Por isso que retomo o que falei no início do texto: será que estamos dispostos a suportar um moribundo moral, espiritual e físico em nossas vidas?
Além de ser uma atitude altruísta, revela um traço digno e plenamente divino receber na barca da vida alguém que nada tem a te oferecer, alguém que por mais que você tente espremer até a última gota você só vai conseguir extrair a essência da gratidão, e isso na melhor das hipóteses.
Alguém que quando você for alimentar, colocar para tomar banho de sol, tomar banho e não, não estou falando de um recém-nascido, estou falando de um adulto mesmo, pessoas que tinham tudo para serem sadias, mas precisam da boa ação dos outros.
E essa condição é extremamente útil aos intolerantes e até mesmo aos tolerantes para exercitarem seu limite de aceitação.
Mais uma vez repito, somos úteis a alguém quando temos algo a oferecer, seja a uma única pessoa ou a sociedade. E essa relação de cobrança que parte de nós mesmos para ter esse algo a ofertar é que é frustrante.
Por isso que o que eu acredito ser o mais bonito e o mais singelo no ser humano é essa prática de tolerar o inútil em nossas vidas, que não se torna inútil, pois a gratidão cobre todas as nossas mazelas espirituais e até mesmo carnais.
Aceitar que a utilidade da inutilidade serve para crescermos como bons cidadãos e firmar um compromisso com o outro quando podemos dizer: você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você.
Até a próxima,
Randerson Figueiredo.


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