UMA SOCIEDADE ESPETACULOSA, POR GUY DEBORD – FILOSOFANDO
Muito
bom dia nobre leitor do Saber Jung, a temática de hoje é dar continuidade às
séries do blog, pois devido as comemorações dos 10 anos de blog não tive como
seguir com elas.
O
tema de hoje será sobre o livro A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, lançado em 1967, o
livro nos mostra uma série de situações provocadas pelo sistema capitalista e
sua estrutura de dominação, principalmente no que diz respeito a “sociedade
midiatizada”.
Antes
de mais nada desejo mencionar que para esta postagem contei com a honrosa
colaboração do doutorando em filosofia pela Universidade Federal do Ceará –
UFC, Inácio Costa. A obra de Debord faz parte de sua análise, e Inácio resolveu
me ajudar nesta perspectiva, fomos colegas de curso num projeto de extensão na
mesma universidade.
Muito
obrigado Inácio, pela valorosa colaboração.
Mas
e o que vem a ser sociedade do espetáculo?
Espetáculo
é ao mesmo tempo uma relação social e a relação interpessoal mediada por
imagens. É o modelo atual da vida que domina na sociedade. É a justificação
total das condições e dos objetivos do sistema capitalista.
E
como elemento da constituição do espetáculo, a publicidade faz suas honrarias a
todo instante. E cada forma de valorização de um poder se faz a partir de
ingredientes dogmáticos, que ao mesmo tempo não pode chegar a um dogma sólido.
O
âmago da sociedade do espetáculo reina em todas as formas sociais que a
precederam, a questão da dominação do espetáculo moderno nasceu à época do
bolchevismo, quando triunfou na Rússia e o proletariado passou a se opor à
classe.
O
segundo passo foi quando Stálin passou a apoiar governos burgueses em troca de
retribuição em seus negócios, sabotando movimentos revolucionários obviamente.
O
passo seguinte foi o fascismo. Chego a dizer que o fascismo é um dos fatores do
espetáculo moderno. Principalmente por desarticular/destruir o movimento
operário.
A
grande questão nisso tudo, que desejo salientar e frisar é que o proletariado
não foi erradicado, pelo contrário. Suas ramificações se manifestam através do
trabalho intelectual, cito aqui os artistas.
E
dessa forma, o capitalismo na sua linhagem mais crua, vai atacar diuturnamente
a cultura, que é algo produzido de forma genuína pelas camadas de classes sociais
nos seus mais diversos acabamentos.
O
espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta em sua
plenitude a essência de todo o sistema ideológico: o empobrecimento, a
subordinação e a negação da vida real.
Nunca
a censura foi tão utilizada, principalmente pelos meios que sustentam a
sociedade do espetáculo, a mídia é uma delas, que aplica sua força para cada
vez mais dissuadir os espectadores, a ponto de se tornarem figuras movimentadas
por linhas quase invisíveis a fomentar o processo da divisão de classes por
exemplo.
A
sociedade do espetáculo só poderá ser combatida a partir de sua crítica real e
verdadeira no que tange a retomada da luta de classes, que é justamente a
crítica das suas condições atuais.
A
manutenção de uma sociedade ignorante e manipulada pelo seu vasto sistema de
incremento aquilo que o sistema ensina: uma preguiça intelectual internalizada
e paralisante. Mantendo sempre um discurso falacioso e enganador.
Como
sua obra se deu início no período da Guerra Fria, Guy Debord desenvolve seu
conceito de sociedade do espetáculo a partir do conceito de Marx de fetiche da
mercadoria.
Sua
obra foi de fundamental importância para as manifestações de maio de 68 que se
caracterizou como sendo a revolta dos estudantes e da classe trabalhadora
francesa que visou mudança no status quo.
O
que permite a caracterização do capitalismo como a sociedade do espetáculo é o
caráter cotidiano da produção de espetáculos, a quantidade incalculável de
espetáculos produzidos e seu vínculo com a produção e o consumo de mercadorias
feitas em larga escala.
O
que a meu ver o pensamento Deboriano propõe é que a vida alienada possa ser
retomada a partir de decisões tomadas coletivamente em assembleias, e que o
poder deveria ser retomado em relação as suas próprias vidas.
Mais
tarde em 1988, Guy Debord publica COMENTÁRIOS SOBRE A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO,
no qual ele avalia que a sociedade do espetáculo se fortaleceu depois do
movimento de maio de 68.
O
neoliberalismo se fortaleceu e assumiu as rédeas de uma sociedade cada vez mais
capitalista. O movimento trabalhista ficou muito enfraquecido tendo em vista o
crescimento dos grandes conglomerados empresariais, causando muito desemprego e
precarização das condições de trabalho, enfraquecimento dos sindicatos e por aí
vai.
Nos
últimos tempos as campanhas políticas na América Latina têm uma evidência em
particular, o surgimento de candidatos de esquerda como baluartes e sendo
porta-vozes das crises sofridas pelas camadas mais populares da sociedade.
Será
que a sociedade do espetáculo nesses governos foi inexistente?
Fazendo
uma avaliação bem criteriosa acredito que não, na verdade houve em linhas
gerais uma manutenção econômica do neoliberalismo. E digo mais, houve uma farta
utilização das técnicas de marketing para garantir, no caso aqui do Brasil, a
eleição, reeleição e altos índices de popularidade, no caso do governo Lula lá
nos idos de 2002 e anos seguintes.
O
que estou querendo dizer é que a mídia é a principal controladora do sistema
capitalista em questão, este por sua vez é o principal financiador dessa orgia
midiática. A mídia funciona como uma espécie de teúda e manteúda do capitalismo.
As
mídias eletrônica e impressa funcionam por aqui, em terras tupiniquins, muito
bem no que diz respeito à manipulação da massa, como disse no início do texto
seus espectadores apresentam uma espécie de letargia profunda.
Letargia
essa que mais adiante foi capaz de eleger o inominável em 2018, no qual
representava tudo de melhor para o empresariado e apesar de ser um asno no
sentido mais profundo da palavra, no qual era maliciosamente mal assessorado
acabou entrando em discordância com o grande conglomerado televisivo em voga no
país, o resultado foi o que graças a Deus aconteceu, sua derrocada na eleição
passada.
Resumindo:
a sociedade do espetáculo é ainda hoje a grande bola da vez.
De
qualquer maneira, a realidade contemporânea possui elementos suficientes para
que uma reflexão sobre a possibilidade de um retorno da crítica teórica e
prática da sociedade capitalista do espetáculo se torne indispensável.
E
essa realidade hoje, acredito, é manifestada pela crescente crise econômica que
se instala a cada dia nos grandes países capitalistas, na casa dos trilhões de
dólares. Isso está provocando um abalo no sistema neoliberal.
Não
temos escapatória, haja vista que essa sociedade espetaculosa se utiliza do
pensamento único como a única via capaz de salvaguardar nossos ideais, que há
muito tempo já foram exterminados.
O
objetivo do texto de hoje é somente oferecer uma panorâmica sobre o filósofo
analisado hoje, como sempre costumo fazer com essa série.
Para
concluir a análise do texto de hoje e indicação de leitura do nosso filósofo em
questão, vou encerrar com um pensamento de George Orwell:
“A massa mantém a marca, a marca
mantém a mídia, e a mídia controla a massa.”
Até a próxima, se Deus quiser.
BIBLIOGRAFIA:
Editora: Contraponto; 1ª edição (5
fevereiro 2007)
Idioma: Português
Capa comum: 238 páginas
ISBN-13: 978-8585910174
Dimensões: 21 x 14 x 1.8 cm



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