UMA SOCIEDADE ESPETACULOSA, POR GUY DEBORD – FILOSOFANDO

fevereiro 20, 2023 Randerson Figueiredo 0 Comments

Muito bom dia nobre leitor do Saber Jung, a temática de hoje é dar continuidade às séries do blog, pois devido as comemorações dos 10 anos de blog não tive como seguir com elas.

 

O tema de hoje será sobre o livro A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, lançado em 1967, o livro nos mostra uma série de situações provocadas pelo sistema capitalista e sua estrutura de dominação, principalmente no que diz respeito a “sociedade midiatizada”.

 

Antes de mais nada desejo mencionar que para esta postagem contei com a honrosa colaboração do doutorando em filosofia pela Universidade Federal do Ceará – UFC, Inácio Costa. A obra de Debord faz parte de sua análise, e Inácio resolveu me ajudar nesta perspectiva, fomos colegas de curso num projeto de extensão na mesma universidade.

 

Muito obrigado Inácio, pela valorosa colaboração.

 

Mas e o que vem a ser sociedade do espetáculo?

 

Espetáculo é ao mesmo tempo uma relação social e a relação interpessoal mediada por imagens. É o modelo atual da vida que domina na sociedade. É a justificação total das condições e dos objetivos do sistema capitalista.

 

E como elemento da constituição do espetáculo, a publicidade faz suas honrarias a todo instante. E cada forma de valorização de um poder se faz a partir de ingredientes dogmáticos, que ao mesmo tempo não pode chegar a um dogma sólido.

 

O âmago da sociedade do espetáculo reina em todas as formas sociais que a precederam, a questão da dominação do espetáculo moderno nasceu à época do bolchevismo, quando triunfou na Rússia e o proletariado passou a se opor à classe.

 

O segundo passo foi quando Stálin passou a apoiar governos burgueses em troca de retribuição em seus negócios, sabotando movimentos revolucionários obviamente.

 

O passo seguinte foi o fascismo. Chego a dizer que o fascismo é um dos fatores do espetáculo moderno. Principalmente por desarticular/destruir o movimento operário.

 

A grande questão nisso tudo, que desejo salientar e frisar é que o proletariado não foi erradicado, pelo contrário. Suas ramificações se manifestam através do trabalho intelectual, cito aqui os artistas.

 

E dessa forma, o capitalismo na sua linhagem mais crua, vai atacar diuturnamente a cultura, que é algo produzido de forma genuína pelas camadas de classes sociais nos seus mais diversos acabamentos.

 

O espetáculo é a ideologia por excelência, porque expõe e manifesta em sua plenitude a essência de todo o sistema ideológico: o empobrecimento, a subordinação e a negação da vida real.

 

Nunca a censura foi tão utilizada, principalmente pelos meios que sustentam a sociedade do espetáculo, a mídia é uma delas, que aplica sua força para cada vez mais dissuadir os espectadores, a ponto de se tornarem figuras movimentadas por linhas quase invisíveis a fomentar o processo da divisão de classes por exemplo.

 

A sociedade do espetáculo só poderá ser combatida a partir de sua crítica real e verdadeira no que tange a retomada da luta de classes, que é justamente a crítica das suas condições atuais.

 

A manutenção de uma sociedade ignorante e manipulada pelo seu vasto sistema de incremento aquilo que o sistema ensina: uma preguiça intelectual internalizada e paralisante. Mantendo sempre um discurso falacioso e enganador.

 

Como sua obra se deu início no período da Guerra Fria, Guy Debord desenvolve seu conceito de sociedade do espetáculo a partir do conceito de Marx de fetiche da mercadoria.

 

Sua obra foi de fundamental importância para as manifestações de maio de 68 que se caracterizou como sendo a revolta dos estudantes e da classe trabalhadora francesa que visou mudança no status quo.

 

O que permite a caracterização do capitalismo como a sociedade do espetáculo é o caráter cotidiano da produção de espetáculos, a quantidade incalculável de espetáculos produzidos e seu vínculo com a produção e o consumo de mercadorias feitas em larga escala.

 

O que a meu ver o pensamento Deboriano propõe é que a vida alienada possa ser retomada a partir de decisões tomadas coletivamente em assembleias, e que o poder deveria ser retomado em relação as suas próprias vidas.

 

Mais tarde em 1988, Guy Debord publica COMENTÁRIOS SOBRE A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, no qual ele avalia que a sociedade do espetáculo se fortaleceu depois do movimento de maio de 68.

 

O neoliberalismo se fortaleceu e assumiu as rédeas de uma sociedade cada vez mais capitalista. O movimento trabalhista ficou muito enfraquecido tendo em vista o crescimento dos grandes conglomerados empresariais, causando muito desemprego e precarização das condições de trabalho, enfraquecimento dos sindicatos e por aí vai.

 

Nos últimos tempos as campanhas políticas na América Latina têm uma evidência em particular, o surgimento de candidatos de esquerda como baluartes e sendo porta-vozes das crises sofridas pelas camadas mais populares da sociedade.

 

Será que a sociedade do espetáculo nesses governos foi inexistente?

 

Fazendo uma avaliação bem criteriosa acredito que não, na verdade houve em linhas gerais uma manutenção econômica do neoliberalismo. E digo mais, houve uma farta utilização das técnicas de marketing para garantir, no caso aqui do Brasil, a eleição, reeleição e altos índices de popularidade, no caso do governo Lula lá nos idos de 2002 e anos seguintes.

 

O que estou querendo dizer é que a mídia é a principal controladora do sistema capitalista em questão, este por sua vez é o principal financiador dessa orgia midiática. A mídia funciona como uma espécie de teúda e manteúda do capitalismo.

 

As mídias eletrônica e impressa funcionam por aqui, em terras tupiniquins, muito bem no que diz respeito à manipulação da massa, como disse no início do texto seus espectadores apresentam uma espécie de letargia profunda.

 

Letargia essa que mais adiante foi capaz de eleger o inominável em 2018, no qual representava tudo de melhor para o empresariado e apesar de ser um asno no sentido mais profundo da palavra, no qual era maliciosamente mal assessorado acabou entrando em discordância com o grande conglomerado televisivo em voga no país, o resultado foi o que graças a Deus aconteceu, sua derrocada na eleição passada.

 

Resumindo: a sociedade do espetáculo é ainda hoje a grande bola da vez.

 

De qualquer maneira, a realidade contemporânea possui elementos suficientes para que uma reflexão sobre a possibilidade de um retorno da crítica teórica e prática da sociedade capitalista do espetáculo se torne indispensável.

 

E essa realidade hoje, acredito, é manifestada pela crescente crise econômica que se instala a cada dia nos grandes países capitalistas, na casa dos trilhões de dólares. Isso está provocando um abalo no sistema neoliberal.

 

Não temos escapatória, haja vista que essa sociedade espetaculosa se utiliza do pensamento único como a única via capaz de salvaguardar nossos ideais, que há muito tempo já foram exterminados.

 

O objetivo do texto de hoje é somente oferecer uma panorâmica sobre o filósofo analisado hoje, como sempre costumo fazer com essa série.

 

Para concluir a análise do texto de hoje e indicação de leitura do nosso filósofo em questão, vou encerrar com um pensamento de George Orwell:

 

“A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa.”

 

Até a próxima, se Deus quiser.

 

BIBLIOGRAFIA:


 A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO


Autor: Guy Debord

Editora: ‎ Contraponto; 1ª edição (5 fevereiro 2007)

Idioma: ‎ Português

Capa comum: ‎ 238 páginas

ISBN-13: ‎ 978-8585910174

Dimensões: ‎ 21 x 14 x 1.8 cm

Você também pode gostar de...

0 Comments: