O RACISMO INCONSCIENTE
Sempre que possível tento apresentar temas instigantes aqui no blog.
E hoje acredito que não será diferente.
Será sobre preconceito racial, o racismo inconsciente.
O preconceito racial aqui no Brasil é velado, invisível, oculto e porque não dizer pintado com um verniz capaz de ocultar aquilo que há de pior no ser humano. E disso sabemos muito bem.
O racismo faz parte do inconsciente coletivo da sociedade brasileira. E no decorrer do texto tecerei argumentos convincentes que provam o que estou a asseverar.
No Brasil se construiu um apartheid simbólico, que mantém os negros em determinados lugares sociais de pouco prestígio, assim como os impedem de acessar os bens socioeconômicos de maior valor.
O racismo é um daqueles fenômenos que contém fatores biológicos, psíquicos, sociais e longa duração histórica. Logo requer uma abordagem mais interdisciplinar.
Essa questão sendo analisada por conceitos junguianos está intimamente relacionada aos arquétipos e ao inconsciente coletivo, ou seja, heranças herdadas dos nossos antepassados.
Os conceitos de Jung são os mais adequados para tais aferições.
É errôneo pensar que só há racismo quando há xingamentos e piadas de alto valor ofensivo, a psicologia analítica nos faz repensar sobre isso.
Afinal de contas, todo preconceito é uma forma de violência. Seja física, psíquica ou moral.
Jung faz uma comparação muito interessante de inconsciente individual e inconsciente coletivo, ao relacionar o indivíduo com a sociedade.
As categorias herdadas ou os arquétipos de Jung explicam o fato de o racismo brasileiro ter esse caráter inconsciente, e que todos nós, eu disse todos, somos racistas numa explanação inconsciente.
O brasileiro tem vergonha de ser racista, mas todos têm práticas discriminatórias porque carregam dentro de si um passado escravista, carregado no inconsciente coletivo.
Como se sabe, a escravidão é uma das feridas psíquicas brasileira.
A meu ver são 4: colonização, escravidão, ditadura militar e miséria.
É como se o negro estivesse que estar no seu devido lugar. Sempre!
Frases como: a coisa tá preta, ponha-se no seu lugar e cada macaco no seu galho só faz reforçar as prerrogativas da sociedade a qual vivemos.
Uma das características que reforça o que escrevi no início do texto é a presença do negro de alma branca.
No Brasil ser negro é um marcador social que acarreta discriminação e desigualdade, inconscientemente uma parcela de negros como não pode ser branca, procura ser negro de alma branca.
Buscam uma aceitação social.
O objetivo como se dá para perceber é não só buscar uma aparência física, mas também do pensamento. Essa busca se dá principalmente pela cor da pele, cor dos cabelos e ascensão socioeconômica.
Assimilando o comportamento das elites.
Outra forma da negação das origens é não se referir ao negro como negro, tratam na maioria dos casos como morenos ou outras denominações. O que beira ao ridículo.
No caso das mulheres algo a se observar é o corpo, logo modificado, o cabelo assume cores aloiradas e forma lisa. Os homens cortam bem curtinho para esconder suas raízes.
A aparência dos brancos, ao longo dos séculos de dominação, virou
sinônimo de beleza.
O corpo como se sabe é o primeiro objeto utilizado na construção da identidade de uma pessoa, a sua negação vai produzir um ego conturbado, uma imagem corporal conturbada.
A meu ver o Brasil construiu sim um apartheid, não geográfico, mas simbólico, por isso que as pessoas acham estranho um negro ascender socialmente.
Acham normal ver negros em lugar que para outras pessoas são lugares de negros. Que eles necessitam habitar. Ele está no seu lugar social. O preconceito existe e não é de hoje. É de sempre.
Acredito que se essa mentalidade mudar, se é que algum dia irá mudar, poderemos vivenciar áureos tempos de mansidão e alegria nesta terra Brasilis.
Mas enquanto isso não acontece temos que suportar bravamente, pois já virou um construto social tão enraizado que acredito ser difícil mudar.
E para que essa realidade possa a vir a ser modificada, algum dia, resta a cada um fazer a sua parte.
Referências bibliográficas
JUNG, Carl Gustav. O Eu e o Inconsciente. Petrópolis: Editora Vozes, 1982.
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo, Cosac Naify, 2003.
ZANATTA, Rodrigo. O Id e o Inconsciente Coletivo: Questões a Freud, Jung e Lacan. São Paulo, 1999.



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