FREUD E JUNG - DE DISCÍPULO A MESTRE
“Um homem caminha por uma estrada e encontra dois outros homens. O primeiro lhe pergunta de onde ele vem, o segundo, para onde ele vai. Esses dois homens são Freud e Jung.” - autor desconhecido.
Antes de mais nada quero esclarecer que retornarei as origens dos meus textos sobre a figura de Jung. Os textos estavam fugindo um pouco da perspectiva da psicologia analítica estavam se tornando meramente filosóficos, reconheço.
Pois muito bem, sabe-se que Jung era discípulo de Freud. Até aí tudo bem não é? Mas o que pouca gente sabe é o verdadeiro motivo da separação ideológica dos dois. De forma resumida, mas não menos profunda, tentarei abordar sobre essa relação dos dois.
Todo esse imbróglio reside principalmente no fato sobre a neurose.
Jung discordava de Freud a respeito desse questionamento, pois para Jung a neurose é causada pela incapacidade de lidar com um problema do momento, e esse estado mental pode persistir e ser renovado dia após dia.
Para Freud a neurose era intimamente relacionada com o Complexo de Édipo. O argumento de Jung era que o conceito do complexo de Édipo , no ensino de Freud, subtendia uma tendência ao incesto, ou seja, para Jung, Freud atentou-se a questão estritamente literal e não espiritualmente falando, como uma linguagem simbólica.
Nessa perspectiva, as diferenças entre Freud e Jung estavam ficando cada vez mais acentuadas. Em 1912, as coisas atingiram um ponto crítico no IV Congresso Psicanalítico em Munique.
O que estou querendo salientar aqui é que Jung não era um puxa-saco e não colocaria Freud em um pedestal.
Foi nesse congresso psicanalítico que a Psicologia do Inconsciente de Jung se viu alvo de fogo cerrado. Freud não podia aceitar as ideias de Jung como desenvolvimento da psicanálise.
Entretanto, 3/5 dos participantes da Conferência votaram a favor da reeleição de Jung para presidente. Era a separação de caminhos, e Jung retirou-se da escola Freudiana.
O próprio Freud posteriormente quando tudo já havia se estabelecido disse: “Jung foi uma grande perda”.
Jung foi duramente criticado ao se associar a Freud é bom que se diga, até 1907 Freud não era visto com bons olhos pelos médicos e leigos de Viena.
Outro ponto importante: Jung criticava as prerrogativas de Freud, mas não o criticava como pessoa. Sabia das grandes qualidades de Freud.
Escreveu Jung:
“O que Freud tinha a dizer acerca da sexualidade, do prazer infantil, e seus conflitos com o ‘princípio de realidade’ (...). Pode ser considerada a expressão mais fiel de sua psicologia pessoal. É a formulação bem-sucedida do que ele próprio subjetivamente observou (...). Freud começou por adotar a sexualidade como a única pulsão psíquica, e só depois de meu rompimento com ele é que passou a adotar ouros fatores (...). Por minha parte, resumi os vários impulsos psíquicos (...) no conceito de energia. Não pretendo negar a importância da sexualidade na vida psíquica, embora Freud sustente obstinadamente que eu a nego. O que procuro é fixar limites à desenfreada terminologia do sexo que vicia toda a discussão da psique humana, e colocar a própria sexualidade em seu lugar adequado (...). A sexualidade é apenas um dos instintos biológicos, sem dúvida de grande extensão e importância.”
No tratamento de pacientes, Jung preferiu sempre “ver o homem à luz no que nele é saudável, e libertar o homem doente daquela espécie de psicologia que impregna cada página do que Freud escreveu”. Segundo um dos grandes amigos de Jung: E. A. Bennet.
E de que modo, foi abordado o problema psicológico da controvérsia Freud-Jung? Isso é o que veremos numa próxima postagem sobre os tipos junguianos, introversão e extroversão. A próxima postagem será a de número 150, portanto, será especial.
Até a próxima.
*Dica de filme*
Um Método Perigoso
Sinopse:
Dirigido pelo cultuado David Cronenberg, o longa é uma mostra de como a relação entre Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen) faz nascer a psicanálise. Aborda a intensa e polêmica relação da dupla com a paciente Sabina Spielrein (Keira Knightley). O filme foi exibido em primeira mão no Festival de Veneza de 2011 e conquistou uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante para Mortensen.
Data de lançamento 30 de março de 2012 (1h 39min)
Direção: David Cronenberg
Elenco: Keira Knightley, Michael Fassbender, Viggo Mortensen e outros
Gênero: Drama
Nacionalidades Reino unido, Alemanha, Canadá, Suiça
Trailer:


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