A METAMORFOSE DO ESPÍRITO

fevereiro 26, 2013 Randerson Figueiredo 0 Comments




Há alguns anos li o tão famoso livro de Franz Kafka chamado A Metamorfose. Esse livro poderia passar despercebido pela minha vida, mas felizmente não passou.

Para quem não conhece esse livro conta a história de um caixeiro-viajante chamado Gregor Samsa que só se dedicava à família, sustentava-a financeiramente.

Para não dar mais detalhes da história para que você possa lê-la com mais afinco, vou encurtar a narrativa.

Um belo dia ele acorda e simplesmente ele vira um inseto horrível. Ocorre uma metamorfose. Os pais de Gregor começam a repulsar o filho, e ele obviamente sente-se magoado com a atitude dos pais.

Somente sua irmã, Grete, leva comida onde ele está, mas mesmo assim com muito medo e repulsa.

Várias modificações ocorrem a partir daquele instante: seu pai volta a trabalhar e sua irmã também. Começam a alugar quartos na casa e essas atitudes começam a incomodar Gregor.

Bem, o que quero dizer com isso? A metamorfose pela qual passou Gregor foi uma metamorfose de opiniões, dúvidas, comportamento, atitudes, sentimentos, enfim, uma transformação espiritual.

Porque quando ele estava na condição de inseto, seu papel na sociedade sofreu uma grande transformação; ao traçar como referência o livro A condição humana de Hannah Arendt começamos a perceber que isto é verdade.

Para a família ele só importava porque ele sustentava a mesma, a partir do momento que ele ficou impossibilitado de exercer tal tarefa a sua “condição” naquele momento o tornou impotente.

E é justamente isso que ocorre conosco: passamos a importar a outras pessoas quando temos algo a oferecer caso contrário somos ultrajados e pelo menos momentaneamente dispensados da nossa condição de portadores de benefícios ofertados a terceiros.

Mas muita hora nessa calma não é? Não estou querendo dizer que todos são meros interesseiros, não é isso. O que quero salientar com esta história do Kafka é que muitas vezes simplesmente não damos a mínima para o outro, como está o outro, qual a sua condição.

Por isso que nossa metamorfose mais do que material, deve ser espiritual, pois se agirmos como a família do Gregor, estamos fadados ao desespero e a lenta e gradual falência corpórea.

Esta fantástica história do Kafka nos passa uma lição sem precedentes, passa uma amostra de que somos perfeitamente substituíveis, mas agora cabe a cada um ser protagonista de sua história e não ser tratado como um mero ator coadjuvante.

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