O ARQUÉTIPO PAI E A PSICOLOGIA ANALÍTICA – POSTAGEM ESPECIAL
Caro leitor deste blog, hoje por se tratar de ser o dia dos pais a postagem será especial, será voltada para esta data, para esta finalidade.
Bem, Carl Jung não desenvolveu de forma profunda o arquétipo do Pai como desenvolveu o arquétipo da Grande Mãe, é bom deixar bem claro isso, mas também não quer dizer que ele deu menos importância a esse assunto.
Antes mesmo de existir a figura concreta e humana do pai, a ideia de pai já estava presente no inconsciente coletivo. A tomada de consciência da paternidade foi um longo processo que acompanhou o desenvolvimento psíquico da humanidade.
De certa maneira, havia um pai abstrato já operante, o que pode ser observado pela organização e pelo funcionamento de algumas civilizações antigas.
A compreensão do homem como pai só foi possível com o aumento da capacidade de raciocínio ao longo do desenvolvimento da espécie humana.
O pai é uma construção que precisa ter intencionalidade, vontade, autoimposição e ser programada. A paternidade precisa ser construída e descoberta não apenas no ato do nascimento, mas ao longo da vida na relação que irá se estabelecer entre pai e filho.
O arquétipo masculino é caracterizado por Jung como estando ligado ao desenvolvimento da consciência, tanto nos homens como nas mulheres.
Já o arquétipo feminino é ligado ao inconsciente.
Ocorre portanto uma polarização entre o arquétipo do pai e da mãe.
A mãe está mais ligada a concretude, ela é o leite materno, já o pai é uma abstração (a palavra). Fazendo uma análise mais objetiva em relação a mãe: ela vê o indivíduo.
O pai em sua manifestação arquetípica uniformiza e normatiza.
O arquétipo pai para a psicologia analítica representa a base fundamental para o crescimento humano individual e coletivo. E com isso, muitos pós-junguianos acreditam que a divisão em sociedade matriarcal e patriarcal como estruturas-base para a vida individual e coletiva.
Importante frisar que um dinamismo não é superior ao outro.
Hoje vivemos uma sociedade patriarcal, que apresenta problemas devido a unilateralidade. Nunca se viu tantos indivíduos normatizados e com tanto individualismo (o que é diferente de individualidade), e o ser deixado de lado.
O arquétipo Pai corresponde às palavras de ordem e orientação.
Quando o filho começa a engatinhar nos primeiros meses, ele tem uma visão horizontal, está ligado ao solo estreita relação com a mãe; com o passar dos anos passa a ter uma visão vertical, é aí que o arquétipo do pai entra.
De acordo com as ideias expressas na Teogonia de Hesíodo, que apresenta a origem e evolução dos deuses da mitologia grega, há uma relação de hierarquia e conflito entre pais e filhos, que é ilustrada por três gerações de deuses encabeçadas por Urano, Cronos e Zeus, em que o filho sempre destrona o pai e toma seu lugar.
Tendo como referência este texto, entendemos que o arquétipo masculino está submetido à temporalidade, que muitas vezes encontra-se associado à cultura e à tradição.
Em suma, o masculino, se expressando pelo arquétipo do pai ou pelo animus, possui as características de ser criativo e transformativo, sendo chamado por Jung de logos spermatikós.
O Pai também representa o Rei, símbolo da saúde física e espiritual do povo. Nas tribos mais antigas, quando o rei ficava velho ou doente, era morto e substituído.
Essa imagem arquetípica pode ser vista na relação pai e filho. A oposição inconsciente à nova ordem vigente corresponde ao lado terrível do arquétipo Pai.
O medo da superação pelo filho pode tomar o homem. Isso se aplica mais ao filho homem do que à filha, pois no imaginário do pai ela não é páreo para ele e leva a projeção de sua Anima.
Um pai pode impedir o desenvolvimento do filho, planejando sua vida a ponto dele não conseguir pensar em nada a não ser o que o pai planejou a ele.
E para que isso não aconteça é necessário despertar a consciência.
O filho lembra ao pai uma jovialidade que não volta mais, e isso é torturante, massacrante, o pai prefere segurar suas amarras impondo limites.
Por isso que seria interessante o pai fazer com que o filho possa viver um outro arquétipo: o do herói. Tratarei mais adiante esse assunto.
Um feliz dia dos pais!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Hopcke, R. H. Guia para a Obra Completa de C. G. Jung. Petrópolis: Vozes, 2011.
Jung, C. G. Freud e a psicanálise. In: Obras Completas de C. G. Jung, vol. IV. Petrópolis: Vozes, 2011.
Jung, C. G. Civilização em transição. In: Obras Completas de C. G. Jung, vol. X/3. Petrópolis: Vozes, 2011.


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